O Mecanismo Lula: corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento do projeto de poder

Todo projeto de poder socialista precisa de uma fonte de financiamento para sustentar as ações revolucionárias e a permanência no poder. Antes, era necessário financiar a luta armada, e isso era feito por meio de assaltos a bancos e roubos que os terroristas de esquerda chamavam de desapropriação da propriedade burguesa. Hoje, a revolução é conduzida pela corrupção do processo eleitoral democrático, cujas campanhas são muito caras, e pelos programas sociais assistencialistas, que escravizam o pobre e necessitam de um esquema de desvios de verbas. Já a atual fonte de financiamento dos projetos de poder é a própria burguesia, com a escolha de uma corte selecionada de empresários que recebem vantagens do Estado e, por meio de intensa corrupção, pagam por esses privilégios, financiando o projeto de poder socialista. Foi nesse contexto que Lula criou o patrimonialismo petista e se tornou um mestre da corrupção passiva e do tráfico de influência, sem qualquer pudor moral, pois a moral revolucionária impõe que tudo o que sirva ao projeto socialista — considerado humanista por utilizar a narrativa da justiça social como motor — não seja visto como corrupção, mas como algo moralmente aceitável, resumido na máxima: rouba, mas faz pelo pobre. Lula criou o mecanismo das doze empreiteiras, romantizado por uma série da Netflix, para utilizar um grupo de empresários corruptos como financiadores milionários de seu projeto de poder lulopetista. Lula utilizou seu amigo Antonio Palocci — que durante trinta anos integrou seu círculo político mais próximo — e José Carlos Bumlai, empresário e amigo pessoal, para intermediarem a sua relação entre empresários; eles recebiam os pedidos dos empresários, transmitiam essas demandas a Lula e, posteriormente, retornavam com as respostas. Formou-se uma sistemática de corrupção passiva e tráfico de influência envolvendo Lula por meio de uma estrutura financeira clandestina destinada ao recebimento de vantagens indevidas oriundas de contratos da Petrobras firmados com essas empreiteiras. Tudo isso está documentado em detalhes nas milhares de páginas dos Termos de Colaboração Premiada homologados e dos depoimentos judiciais prestados nos processos da 13ª Vara Federal de Curitiba, que Lula e o STF, por meio de uma canetada, tentam apagar da memória coletiva. Começando por Emílio Odebrecht, que manteve com Lula uma relação pessoal, política e empresarial privilegiada durante mais de duas décadas. Emílio reconheceu que dependia de posições do governo Lula para definir estratégias relevantes, especialmente quanto ao risco de expansão estatal sobre o setor petroquímico, caracterizando tráfico de influência. Também procurou Lula para firmar um “pacto de sangue”, colocando à sua disposição um pacote de vantagens indevidas que incluía o terreno destinado ao Instituto Lula, o sítio de Atibaia para uso da família do ex-presidente e uma conta de aproximadamente R$ 300 milhões destinada ao financiamento de suas atividades políticas. Joesley Batista afirmou que, em 2014, mantinha duas contas no exterior, uma destinada a Dilma Rousseff e outra a Lula, totalizando cerca de US$ 150 milhões, administradas diretamente por Guido Mantega. Renato Duque resumiu o funcionamento do esquema ao explicar que as empresas vencedoras dos grandes contratos eram procuradas pelo tesoureiro do PT, que lhes solicitava contribuições proporcionais aos contratos celebrados, normalmente em torno de 1% do valor contratado, e que esse sistema funcionou de forma contínua durante todo o período em que permaneceu na Diretoria de Serviços da Petrobras. Por isso, Gilmar Mendes, em um seminário realizado na FIESP, em 2015, afirmou que o PT havia instalado uma cleptocracia no Brasil, que a Operação Lava Jato havia desestruturado, e que esse esquema possuía recursos suficientes para disputar eleições até 2038. Vale agora ressaltar, que os crimes de corrupção passiva e tráfico de influência apresentam uma dificuldade probatória peculiar. Diferentemente de um roubo, um homicídio ou um estelionato comum — e até mesmo da corrupção ativa, que dificilmente um político pratica de forma direta —, raramente deixam um documento afirmando expressamente: “este pagamento é propina destinada a mim, político no poder”. A própria lógica desses delitos leva seus participantes a ocultar a vantagem indevida por meio de terceiros, empresas, contas paralelas, benefícios indiretos, favores futuros ou estruturas criadas precisamente para impedir a produção de provas diretas. Por essa razão, a investigação desses crimes costuma depender da reconstrução de um conjunto de elementos convergentes: depoimentos de participantes, registros de reuniões, mensagens, agendas, movimentações financeiras, contratos, planilhas, e-mails, vídeos, fotografias, anotações, coincidências cronológicas e outras circunstâncias que, analisadas em conjunto, procuram revelar uma realidade que dificilmente seria documentada de forma explícita. Léo Pinheiro afirmou que Lula lhe pediu para destruir documentos relativos aos pagamentos clandestinos destinados ao partido. Por isso, não se pode afirmar que Lula seja inocente apenas porque não há comprovante de propriedade, em seu nome, do sítio de Atibaia ou do tríplex do Guarujá. As reformas do tríplex e do sítio foram gerenciadas e custeadas pela Odebrecht e pela OAS, mas essas propriedades, evidentemente, não estavam em nome de Lula, nem estariam. O tríplex permanecia formalmente vinculado à OAS, enquanto o sítio pertencia formalmente a Fernando Bittar e Jonas Suassuna, ambos amigos da família Lula. Concluindo. O que emerge das dezenas de colaborações premiadas é a descrição de um sistema de poder sustentado pela promiscuidade entre Estado, grandes empresários e o projeto de poder de Lula que transformou o tráfico de influência e a corrupção passiva em método permanente do seu governo. Apagar processos, anular condenações ou reescrever a história não altera os fatos narrados pelos próprios participantes do esquema. Só a militância em sua hipocrisia, mesmo diante o conjunto dessas evidências, continuará repetindo a confortável ficção de que tudo não passou de uma grande conspiração contra o painho Lulinha.

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