O CAPITALISMO; O “BOI DA CARA PRETA” DO COMUNISMO

A esquerda acadêmica vive num eterno réquiem contra o capitalismo, repetindo mantras fossilizados como se estivesse celebrando um culto a uma religião secular chamada Comunismo. Diante da lista interminável de clichês ideológicos repetidos há mais de um século, algumas perguntas continuam de pé: Por que os comunistas acreditam que o mundo precisa que eles pensem alternativas para a sociedade? Por que os comunistas se consideram ungidos para monopolizar o pensamento sobre coletivismo, humanismo, igualdade e “luta social”? Por que a acumulação de riqueza pela livre iniciativa seria um mal civilizatório? Quem lhes deu autoridade moral para se declararem os únicos detentores da compaixão pelos fracos e oprimidos? E, sobretudo, por que insistem em enxergar o mundo através de uma luta de classes que já nasceu deturpada e hoje é sociologicamente irreconhecível?

Entretanto, no Século XXI, surge ainda a pergunta realmente incômoda: o comunismo ainda é um projeto histórico real ou tornou-se apenas uma religião ideológica cujo principal sacramento é demonizar o capitalismo como o seu “boi da cara preta”?

Os acadêmicos progressistas modernos – parte do grupo social que aqui chamamos de comunistas – ainda não perceberam — ou fingem não perceber — que o Comunismo se transformou em uma teologia política que só sobrevive enquanto inventa um inimigo monstruoso, abstrato, onipresente e onipotente: o capitalismo como mal absoluto, arquidiabo do imaginário revolucionário.

Sem o Capitalismo, o que sobra do Comunismo? Nada além de burocratas fantasiados de profetas e intelectuais posando de sacerdotes seculares. Pseudointelectuais que, de forma prepotente, se consideram os ungidos para criar uma sociedade mais humana e mais igualitária, utilizando dos meios que forem necessários a esse fim supostamente nobre; incluindo tomada de poder; e muita violência física ou muita agressividade por meio das narrativas criadas por um poder hegemônico.

Criticam a prosperidade capitalista enquanto constroem, na prática, uma teologia da miséria; na qual a salvação depende da adesão ao anticapitalismo ritualístico. Recitam Weber para acusar a prosperidade alheia enquanto desfrutam de salários estatais, ONGs financiadas e cargos protegidos.

A velha ladainha de que “o capitalismo não admite concorrência” é pura projeção freudiana. Quem nunca admitiu concorrência foi o Comunismo — que sempre eliminou dissidentes, extinguiu religiões, estatizou consciências e reduziu o indivíduo à engrenagem anônima da máquina revolucionária.

O delírio de que existe uma grande conspiração capitalista para afastar o debate sobre modos alternativos de produção das escolas, das fábricas, dos movimentos sociais e da ruralidade é, como disse Scruton, “linguagem que sugere profundidade onde só há slogans”. Nada nessa formulação descreve o mundo real; descreve apenas a fantasia heroica do revolucionário que precisa sentir-se oprimido para justificar sua existência. Quem disse a eles que o mundo precisa de propostas, estudos e debates de alternativas de modos de produção? A ideia de que alguém está “afastando” o debate é completamente irônica: os únicos que monopolizam as escolas, universidades, sindicatos, ONGs e movimentos sociais no Brasil são justamente os progressistas. Quem impede debate é quem censura qualquer voz discordante acusando-a de fascista. Como diria Thomas Sowell: “Não há maior cego do que o intelectual que acredita monopolizar a virtude.”

Ademais, a falácia dos “modos de produção alternativos” é apenas eufemismo acadêmico para socialismo; que, por sua vez, é eufemismo histórico para fracasso econômico, repressão política e miséria sistemática. Entretanto, como o progressismo precisa manter a fantasia, ele troca a palavra “socialismo” por “alternativo”.

O eterno clichê da acumulação capitalista é outra fraude. Como expõe Dinesh D’Souza, a esquerda nunca explica quem acumulou, como acumulou e por que a acumulação seria injusta. A acumulação capitalista é fruto de trocas voluntárias, inovação e produtividade. A acumulação socialista, ao contrário — essa, sim — sempre se deu pela força: paredón cubano, Holodomor, coletivizações compulsórias, confisco de terras, expurgos, fome planejada.

Quanto ao velho truque de dizer que o trabalhador no capitalismo é apenas um mero “possuidor da mão-de-obra”; trata-se de uma inversão grosseira da realidade. É justamente no Capitalismo onde o trabalhador prospera pela remuneração de sua força de trabalho, esforço, mérito, competência, agilidade e aptidão; enquanto nos regimes socialistas ele é simplesmente escravizado pelo Estado. Dalrymple foi preciso: “No socialismo, o trabalhador pertence ao governo; no capitalismo, pertence a si mesmo.”

Quando afirmam que os ricos associam Comunismo à violência e à supressão de direitos; escondem o óbvio: não é narrativa capitalista — é a história inteira do Comunismo. Lenin foi claro em seu doutrinamento sobre a moral deles e a nossa; Marcuse remodelou bem esse comportamento com a sua tolerância repressiva; e Paulo Freire fechou o racional com o ensino do ódio do bem. No livro Pedagogia do Oprimido, Paulo doutrina que a violência do oprimido, em resposta à do opressor, por até mais violenta que seja, sempre “inaugura o amor”. Entretanto, nenhuma invenção burguesa criou os gulags, a Tcheka, o Holodomor, o Laogai, os paredóns cubanos. O terrorismo não é imputação externa; é vocação interna do Comunismo. Negar ou relativizar a violência revolucionária – natural da ideologia comunista – é anular a imoralidade de qualquer tipo de violência. Dinesh desmonta isso com uma frase cirúrgica: “Não há igualdade imposta sem violência imposta”. Os fins não justificam os meios; nunca.

E quando os regimes comunistas fracassam, a resposta é automática: não era comunismo verdadeiro. A pureza revolucionária só existe no futuro — nunca no presente. É o vazio apropriado que isenta o comunista do julgamento histórico. O truque é sempre o mesmo: comunismo ideal é perfeito; comunismo real nunca existiu. E Marx — convenientemente — deixou a forma final do comunismo em aberto. Isso permite à esquerda reinventar o paraíso utópico a cada geração, escapando eternamente do julgamento histórico. Assim, cada geração pode reinventá-lo como quiser e eximir o anterior dos seus genocídios. A esquerda vive desse vazio conveniente: o comunismo real, quando fracassa, “não era comunismo”; o comunismo possível é sempre projetado para um futuro inalcançável. Como diz Pondé, “a esquerda vive do futuro porque o presente a desmente.”

E então, para se sentirem os sacerdotes escolhidos para espalharem o humanismo da igualdade e da justiça social comunista; cometem heresia e ousam citar Cristo para tentar divinizar a ideologia. Todavia, o Cristianismo prega caridade, jamais coletivismo forçado por qualquer espécie de imposição violenta do amor revolucionário. A doutrina social da esquerda sempre tentou sequestrar a compaixão cristã para transformá-la em projeto estatal de poder. Pregar a compaixão não é entregar o ato fraternal espontâneo e individual às leis, ao Estado e à burocracia partidária. O humanismo religioso é verdadeiro; o progressista, falacioso. O humanismo que Jesus nos ensinou nasce do espírito em evolução; é movido por amor, compaixão real e consciência desperta. Atua de dentro para fora: reforma íntima, caridade sincera, responsabilidade pessoal. O comunismo instrumentaliza Jesus para fins que Ele jamais reconheceria. Scruton alertava: “Toda utopia que exige pureza moral absoluta termina justificando a violência absoluta.”

Quem usa o fantasma do Comunismo são os próprios comunistas, para manter viva a retórica de que são perseguidos por um sistema que, paradoxalmente, os financia, os tolera e os promove culturalmente. Sem o “inimigo capitalista”, o progressista perde função, salário, sentido, aura profética e até identidade.

A luta de classes, repetida como mantra esvaziado por séculos, só serve para manter acesa a fogueira da indignação doutrinária. Tudo é culpa da elite do atraso. É a mesma fórmula soviética de 1917 repetida em 2025, com vocabulário de sociologia de faculdade. A luta de classes não descreve sociedade nenhuma; descreve apenas o desejo da elite intelectual progressista de governar sem produzir, como explicou Sowell: “A retórica da exploração é o disfarce da incompetência de quem quer poder sem responsabilidade.”

E a utopia final — “de cada um segundo suas habilidades…” — permanece como a senha mágica que encerra discursos, apesar de sua impossibilidade lógica e de seu histórico sangrento. Em cada país onde tentaram implantá-la, o resultado foi sempre o mesmo: miséria para todos, privilégio para o partido, e total controle estatal para organizar as necessidades do povo. No fundo, o comunismo atual é isto: um sistema simbólico, não uma proposta real; um culto político, não uma teoria econômica; um mecanismo de poder, não uma alternativa de sociedade.

Desta feita, o ponto central é simples: o Comunismo moderno precisa do Capitalismo como espantalho para sobreviver. Sem demonizar o mercado, a liberdade, a propriedade, a conquista pelo mérito, a prosperidade; a vida real – com o conforto do mundo moderno em decorrência do modo de produção capitalista, da livre iniciativa e do lucro da ética protestante; mesmo com todos os defeitos e mazelas – desmonta a fantasia revolucionária. Por isso precisam manter viva a narrativa de que o Capitalismo é o monstro ameaçador, o grande mal da humanidade, o devorador de oprimidos — o “boi da cara preta” do imaginário revolucionário.

E Scruton, de novo, acerta:

“O socialista precisa do capitalismo para poder odiá-lo.”

Deixe um comentário

Site criado com WordPress.com.

Acima ↑