O raciocínio central da militância progressista se sustenta sobre um silogismo tão simplista quanto perigoso, repetido à exaustão até se tornar senso comum artificial: Premissa maior: A democracia verdadeira é aquela que representa o povo. Premissa menor: A esquerda é a única representante legítima do povo, pois defende as chamadas “pautas sociais” e os “pobres e oprimidos”. Conclusão: Logo, todo governo, congresso ou autoridade que não seja do campo progressista está traindo a democracia e o povo. Esse raciocínio não é apenas falho; é funcional. Ele cria uma blindagem ideológica onde a esquerda nunca pode estar errada, porque se confunde com o próprio conceito de povo. Essa narrativa absurda tem se espalhado com o aval da imprensa militante, dos intelectuais orgânicos e dos militantes travestidos de juristas e artistas. Resultado: qualquer Congresso que não se submeta à agenda progressista é tachado de “antipovo”, “reacionário” e “inimigo da democracia”; mesmo tendo sido eleito pelo voto popular em plena normalidade institucional. Daí decorre uma lógica perversa: a esquerda é, por definição, democrática; já a direita — perdão, a “extrema-direita” — é automaticamente fascista e “golpista”. Afinal, quando a direita vence nas urnas, está, segundo essa mentalidade doutrinária, dando um “golpe” contra o projeto progressista — hoje hegemonicamente imposto — e sua pretensa agenda social universalmente benéfica. A esquerda brasileira está tentando anular a essência da democracia representativa e impor uma distorção ideológica: só é legítimo o que favorece o seu projeto de poder. Afinal, como se opor ao “povo”, à “inclusão”, ao “bem comum”? No fim, o mecanismo é simples: quem controla a linguagem controla a percepção; quem controla a percepção controla a legitimidade; e quem controla a legitimidade governa, mesmo sem maioria. É assim que se constrói uma hegemonia que não depende apenas do poder institucional, mas da imposição contínua de uma narrativa moral incontestável. E tudo isso, evidentemente, em nome da democracia.

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