O que Eco chamou de fascismo, quando aplicado hoje, revela-se sobretudo na esquerda moderna. O culto da tradição, criticado como reação arcaica, é transformado pelo progressismo em dogma ideológico coercitivo: censura de símbolos históricos, imposição de normas culturais e doutrinação nas escolas mostram que a esquerda é quem venera sua própria tradição ideológica, intolerante e autoritária. A rejeição da modernidade clássica também se manifesta na própria esquerda, que demoniza o Ocidente, o racionalismo e a liberdade individual, substituindo progresso por dogma moral e por controle social. A ação pela ação, glorificada nos militantes de rua e nas redes, traduz-se em cancelamentos, bloqueios e protestos performativos, enquanto a coerência e o pensamento crítico são substituídos por slogans e fanatismo. Questionar é traição: jornalistas, intelectuais e cidadãos críticos são perseguidos, silenciados ou rotulados de inimigos da justiça social. O medo da diferença, denunciado como xenofobia, é reproduzido pela esquerda identitária, que divide a sociedade por raça, sexo e classe, perseguindo conservadores e cristãos com intolerância radical. A frustração social também é explorada: raiva e ressentimento se transformam em armas ideológicas, legitimando opressão e censura. O nacionalismo e as conspirações, antes atribuídos à direita, estão invertidos: globalismo, imperialismo cultural e manipulação simbólica definem o controle progressista. A guerra permanente, o elitismo moral e a glorificação de mártires sociais disciplinam o comportamento e moldam consciências. O moralismo sexual se inverte: libertinagem compulsória e imposição de dogmas de gênero substituem virtude por conformidade. Populismo, novilíngua e controle linguístico completam o quadro: líderes falam em nome do povo, anulando instituições, e slogans substituem o debate racional. O verdadeiro Ur-Fascismo contemporâneo não reside no conservador, mas na esquerda cultural, política e ideológica, que impõe coerção moral, censura e superioridade moral autoatribuída, enquanto acusa os outros de intolerância. Reconhecer isso é indispensável para enfrentar a tirania progressista travestida de virtude.

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