Como o Militante Simula Inteligência

O militante sarcástico jamais reconhece uma derrota, porque reconhecê-la significaria admitir que existe algo acima de sua seita ideológica; e, para quem se crê investido de missão histórica redentora, isso seria heresia. Então ele ri; faz piada, porque sarcasmo é seu escudo e sua espada. Não porque seja inteligente, mas porque precisa sustentar o ar de inteligência. O sarcasmo serve para encobrir uma vaidade ferida, uma incapacidade argumentativa e uma fuga deliberada da razão. Ele não argumenta, ele encena.

Schopenhauer já havia descrito com precisão esse comportamento ao tratar da dialética erística; esse jogo desonesto em que o objetivo nunca é a verdade, mas a vitória a qualquer custo. E, quando surge um argumento racional ou quando alguém demonstra mínima honestidade intelectual ao reconhecer um ponto válido, o militante abandona qualquer pretensão de debate e parte diretamente para o ataque pessoal. Muitas vezes, diz que o outro cedeu por medo, que fugiu do embate, que se dobrou à sua “brilhante” retórica. Eis aí os Estratagemas 11, 27 e 30 reunidos num teatro grotesco: o ataque à pessoa, a teatralização da derrota e a presunção de superioridade.

Ainda há o repertório de Saul Alinsky: ridicularizar, personalizar, congelar, polarizar. O objetivo não é responder ao argumento, mas destruir o interlocutor. Ele deve ser exposto ao ridículo, rotulado como fraco e transformado em exemplo negativo. O que importa é desmoralizar, silenciar e intimidar. Trata-se de um mecanismo de controle social informal, exercido pela via da humilhação pública.

No plano teórico, isso não é novidade: Gramsci compreenderia perfeitamente esse processo como instrumento de hegemonia cultural; Lenin o reconheceria como tática eficaz de combate político; Foucault o revestiria com a linguagem das relações de poder. A esquerda não quer diálogo; quer hegemonia. No plano prático, porém, não há interesse em diálogo, mas em domínio; não há busca por esclarecimento, mas por controle; não há compromisso com a verdade, mas com a imposição de narrativas.

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