Uma guerra civil social total já se anuncia no cotidiano. Não é fantasia distópica, mas desdobramento lógico da práxis da hegemonia progressista que, ao longo de décadas, reprogramou o brasileiro. Criou-se um tipo humano dotado de direitos infinitos e deveres inexistentes, educado por uma pedagogia que aboliu a frustração, o mérito, a disciplina e a responsabilidade. O resultado é uma sociedade composta por adultos emocionalmente infantis, incapazes de lidar com o “não”, convencidos de que qualquer obstáculo é injustiça e de que toda injustiça autoriza agressão. O relativismo moral completou a obra: se o bem e o mal são meras construções, ninguém erra — erra a sociedade. A culpa evapora, o caráter se dissolve, a violência se legitima. Some-se a isto o identitarismo, que transformou minorias em castas de credores ilimitados, competindo entre si por privilégios simbólicos e direitos absolutos. Cada indivíduo passa a viver como se fosse uma nação soberana em estado de alerta permanente. No Brasil, esse processo ganhou forma mais concreta sob o Estado-Pai lulopetista, que infantiliza e escraviza a população ao vender dependência como justiça social. O cidadão deixa de ser agente moral de si mesmo e se converte em órfão tutelado por um Leviatã benevolente — ou que assim se apresenta. A autonomia vira ameaça; a discordância, crime; a crítica, desumanização. Não existe tecido social possível quando a própria noção de adulto responsável é substituída pela figura do “protegido” do Estado. O resultado é inevitável: uma sociedade fraturada, incapaz de consenso mínimo, onde cada grupo vive em trincheiras morais, bolhas de eco em redes sociais que fomentam muito ódio do bem. A guerra civil social não será anunciada, pois está camuflada no colapso dos laços, na erosão da confiança, na multiplicação de microconflitos que tornam a convivência impossível. A guerra civil social se manifesta em filas, aeroportos, repartições, hospitais, estradas, condomínios. É a guerra de todos contra todos, travada por indivíduos atomizados, narcisismos inflamados e egos sem freio. Quando todos acreditam ter 100% de direitos e 0% de deveres, resta apenas o choque — e o choque já começou.

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