Os discursos proferidos por José Dirceu e Valter Pomar no 8º Congresso Nacional do PT, em 5 de dezembro de 2025, encerram qualquer dúvida razoável sobre a natureza, o alcance e a intencionalidade do projeto político lulopetista.
Lula pode não falar abertamente, mas o partido fala — e quando fala, revela o projeto de poder. Não se trata de mera foi retórica inflamada de militância, mas a reafirmação explícita de um projeto socialista revolucionário, concebido nos moldes do bolivarianismo venezuelano e fiel aos objetivos originais do Foro de São Paulo, arquitetado por Lula em parceria direta com Fidel Castro no início dos anos 1990.
José Dirceu, operador ideológico do projeto e elo histórico entre a guerrilha clássica e o institucionalismo cultural moderno, afirmou sem ambiguidades que o PT tem a responsabilidade histórica de: romper o pacto institucional vigente; promover uma revolução social; enfrentar o imperialismo americano; e redefinir a democracia para além do modelo liberal. Dirceu enfatizou que o PT deve buscar uma transformação estrutural do regime e uma reforma política profunda no Brasil, em função de uma suposta degradação deliberada do Congresso Nacional. Valter Pomar, outra força ideológica dentro do PT, foi ainda mais explícito: declarou que o capitalismo é um mundo “brutal”, que o socialismo é condição de sobrevivência, que os Estados Unidos irão interferir nos processos eleitorais brasileiros e que o PT deve se preparar para enfrentá-los como inimigo estratégico.
Todo esse discurso não é episódico. Ele se encaixa com precisão cirúrgica no desenho original do Foro de São Paulo: abandonar a luta armada aberta; preservar as formas eleitorais; capturar o Estado por dentro e substituir a democracia liberal por um regime de partido hegemônico, sustentado por controle institucional; judicialização da política; censura seletiva; e dependência social.
Foi exatamente assim na Venezuela: Chávez chegou pelo voto; Maduro consolidou-se pela captura do Judiciário, pelo esvaziamento do Parlamento, pela perseguição sistemática da oposição e pela destruição da classe média. O lulopetismo caminha na mesma trilha — com método, paciência e sofisticação.
O conflito desse projeto com a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA de 2025 é direto e insolúvel. O documento de doutrinamento norte-americano é claro ao tratar a América Latina como zona estratégica de contenção de regimes autoritários alinhados à China, hostis à liberdade de expressão, tolerantes com o narcotráfico e avessos à democracia liberal. O projeto lulopetista colide frontalmente com esses pilares: aproximação estrutural com Pequim; relativização do crime organizado; hostilidade às Big Techs; censura judicial; aparelhamento institucional; e retórica abertamente antiamericana.
É nesse cenário que a retirada da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes se revela um erro estratégico monumental. Ao suspender a sanção, Washington não moderou o regime; fortaleceu-o. Moraes deixou de ser pária internacional e passou a dever favores políticos a Lula. O resultado é previsível: um Judiciário ainda mais autônomo em relação ao Legislativo, ainda mais agressivo contra opositores e ainda mais funcional ao projeto de poder do PT. Moraes torna-se o instrumento perfeito para controlar o Congresso por meio do STF, anulando votações, cassando mandatos, criminalizando a direita e estabelecendo o precedente de que a soberania popular é condicional.
Esse arranjo institucional é essencial para os próximos passos do projeto de poder lulopetista: eleger maioria no Senado; e viabilizar a eleição de José Dirceu como deputado federal e alçá-lo à Presidência da Câmara, fechando o circuito do poder.
Ou seja, o Executivo governa, o Judiciário legisla e pune, e o Legislativo obedece. As formas permanecem; a República, não.
No plano social, o objetivo é igualmente claro: destruir a classe média, base histórica de autonomia, crítica e resistência democrática; e manter a maioria da população dependente de programas assistencialistas, transformando cidadania em clientelismo e direitos em favores. A pobreza deixa de ser problema a ser superado e passa a ser instrumento de controle político, exatamente como no modelo bolivariano. Não se trata de inclusão produtiva, mas de submissão estrutural.
Nada disso é improviso. O que Dirceu e Pomar verbalizaram é o que Lula sempre executou com discrição: a consolidação de um regime socialista de novo tipo: eleitoral na forma; autoritário no conteúdo; hostil ao Ocidente liberal e alinhado ao eixo sino-bolivariano.
A retirada da Magnitsky de Moraes não aproximou Lula de Trump e nem conteve esse processo; acelerou-o. A história ensina que projetos dessa natureza não recuam por concessão, mas avançam até encontrarem resistência real. O Brasil entra, agora, na fase decisiva desse ciclo. A pergunta já não é mais qual é o projeto do lulopetismo — ele foi explicitamente confessado. A pergunta é se haverá instituições, forças políticas e pressão internacional suficientes para detê-lo antes que o modelo venezuelano se consolide uma versão continental, no maior país da América do Sul.

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