URGENTE: A imprensa finalmente desperta para a ameaça autoritária de Moraes no Brasil
A chamada “Vaza Toga” consolidou-se entre 2023 e 2024 como um vasto corpo de denúncias, dossiês, reportagens investigativas e depoimentos apontando abusos, censura política e estruturas paralelas atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. Segue um bom resumo desses documentos em anexo. O tema ganhou escala quando o jornalista David Ágape publicou, ao longo de 2023 e início de 2024, uma série de threads no X detalhando irregularidades em inquéritos do STF. Em paralelo, Eli Vieira expôs conexões internas do TSE e indícios de censura coordenada. O caso transbordou internacionalmente com as reportagens de Michael Shellenberger, especialmente o “Big Report – Jan 8” divulgado em janeiro de 2024, que apresentou documentos, depoimentos de servidores e evidências de interferência política em plataformas digitais. O componente mais dramático surgiu com as revelações de Eduardo Tagliaferro no final de 2023 e início de 2024, denunciando a existência de um suposto “gabinete paralelo” comandado por Moraes para perseguições direcionadas — acusações reforçadas por reportagens da Revista Oeste, A Investigação e Claudio Dantas, incluindo relatos de servidoras que celebraram censuras, dossiês internos e ordens informais para atingir opositores como Carla Zambelli. Vídeos, documentos e depoimentos públicos — amplamente disponibilizados em plataformas como o YouTube e no portal CivilizationWorks — compõem hoje o núcleo documental dessa investigação extraoficial que passou a ser conhecida nacionalmente como Vaza Toga.
Como era de se prever, por esquema que já vimos antes, alguém denuncia, a PGR aceita e o caso cai em Moraes: a jornalista Letícia Sallorenzo apresentou ao STF uma petição criminal contra os jornalistas David Ágepe e Eli Vieira, acusando-os de uma série de crimes: como difamação e injúria, associação e organização criminosa, e até abolição violenta do Estado Democrático de Direito; e pedindo que a apuração ocorra dentro dos inquéritos das fake news e das milícias digitais, que são relatados por Moraes no STF.
Bem, mas o personagem principal da Vaza Toga é Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes (que ironia do destino) e hoje exilado na Itália. Tagliaferro desmontou no Senado, em audiência ao vivo durante horas no dia 2 de setembro de 2025, em sessão da Comissão de Segurança Pública, a farsa jurídica que se instalou no TSE sob o comando de Alexandre de Moraes. Ele revelou a existência de um gabinete clandestino, uma máquina de vigilância política dentro do tribunal, que operava como polícia secreta: monitorava perfis, produzia dossiês, rastreava opiniões, vasculhava vidas privadas e alimentava diretamente o ministro com relatórios “sob medida”. Ali — segundo ele — havia autorização explícita: “use a criatividade”. Criatividade para censurar, bloquear, perseguir e esmagar opositores.
Tagliaferro afirmou que esse sistema jamais mirava a esquerda. Era seletivo, ideológico e orientado para um único alvo: críticos do Supremo. Ele denunciou que dados protegidos foram acessados sem ordem judicial, que mensagens chegavam ao ministro por WhatsApp pessoal, e que ele próprio, ao tentar sair, virou objeto de chacota, recebendo o apelido de “Eduardo da Exoneração” enquanto era pressionado, ridicularizado e observado. Disse, ainda, que mensagens com seu advogado foram violadas — algo que, em qualquer Estado de Direito, derrubaria um processo inteiro. E qual foi a resposta do sistema? Transformaram o denunciante em réu. E pior: será julgado pelo mesmo juiz que ele acusa. A inversão é tão grotesca que só não vê quem não quer. Quem denuncia o abuso vira alvo do abusador — e a Corte finge normalidade.
O Estadão, em editorial histórico do dia 15 de novembro de 2025, em anexo, finalmente reconhece o que milhões já apontavam: o STF transformou a exceção em método. A reação ao 8 de janeiro virou justificativa para censura permanente, inquéritos eternos, prisões preventivas sem limite, decisões monocráticas que atropelam leis e um tribunal que se julga infalível, incontestável e acima da Constituição.
O Estadão avalia, ainda, que esse caso simboliza a transformação da exceção em método institucional. Ao invés de corrigir abusos, a Corte os institucionaliza. Tagliaferro virou réu justamente por denunciar o abuso, e será julgado pelo mesmo juiz que ele acusa. A Procuradoria preferiu denunciá-lo em vez de investigar as alegações. O processo tramita de forma opaca, com decisões virtuais e violação de sigilo profissional, numa demonstração clara de que a imparcialidade foi abandonada.
E mais, o jornal afirma que Moraes hoje atua como vítima, investigador e juiz ao mesmo tempo, e que o caso Tagliaferro é o retrato mais claro da mutação autoritária que tomou conta da Corte. Um regime de tutela moralista em que o Direito é substituído pela cruzada pessoal de um ministro que acumula poder sem contrapesos.
Por fim, para o Estadão, estamos diante de uma mutação perigosa: o “Estado de exceção” permanece em operação rotineira, o poder de julgar se tornou instrumento de intimidação, e o STF substitui a própria Constituição, impondo poder moralizante com canetadas autoritárias. A absolvição ou condenação de Tagliaferro não será apenas um julgamento individual — será um veredito histórico sobre até onde vai o arbítrio institucional sobre a democracia brasileira.
A Polícia italiana deteve Tagliaferro em Catanzaro, em cumprimento a medidas cautelares enquanto aguarda o pedido formal de extradição apresentado por Moraes. A acusação da PGR é pesada: vazamento de conversas sigilosas, obstrução de investigação, coação, ameaça ao Estado Democrático de Direito. Mas a Justiça italiana acaba de dar um revés significativo ao pedido brasileiro: o Tribunal de Apelação de Catanzaro revogou a prisão domiciliar, mantendo apenas a proibição de saída do país. Ou seja, Tagliaferro não será extraditado por enquanto. Para quem denunciou “um Estado dentro do Estado” comandado por Moraes — com relatórios para justificar censura e bloqueios —, isso é uma vitória parcial e simbólica.
Enfim…A imprensa nacional parece agora acordar para o fato de que o STF não é apenas uma corte: tornou-se um poder político absoluto, capaz de punir quem ousa acusar seus membros.
A escalada é clara: Tagliaferro foi acusado por Moraes de “abolição violenta do Estado Democrático”, e agora sofre uma retaliação total. A Constituição foi transformada em peça de um tabuleiro autoritário onde a toga decide para si mesma quando julgar e quem punir. Se este caso não provocar uma reação nacional, a democracia brasileira corre sério risco — porque a exceção virou método, e o poder absoluto já está sendo exercido com disfarce legal.
O caso Tagliaferro, portanto, não é um episódio — é o sintoma final de uma democracia colocada de joelhos. Se esse processo prosperar, não será apenas ele a ser condenado: será a própria ideia de liberdade no Brasil.
ANEXO 1 – Edital do Estadão de 15 de novembro de 2025:
Referências:
Estadão: https://www.estadao.com.br/opiniao/um-processo-absurdo/
ANCAPSU: Vídeo: “Editorial do Estadão critica duramente Xandão e STF pela Aberração Jurídica que é o Caso Tagliaferro”, disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=KqJDjlWNVek
ANEXO 2 – DOSSIÊ VAZA TOGA
Referências:
https://twitter.com/david_agape_?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor
https://twitter.com/EliVieiraJr?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor
https://www.civilizationworks.org/
CW+-+PTBR_+Jan-8-Big-Report-pt-BR.docx.pdf
(5) Environment Progress (@envprogress) / X
(5) Michael Shellenberger (@shellenberger) / X
https://www.ainvestigacao.com/p/quem-e-a-bruxa-citada-na-vaza-toga
https://www.ainvestigacao.com/p/quem-e-a-bruxa-citada-na-vaza-toga
CW+-+PTBR_+Jan-8-Big-Report-pt-BR.docx.pdf
RESUMO: Arquivos do 8 de Janeiro: por dentro da força-tarefa judicial secreta para prisões em massa
Em 4 de a gosto de 2025, os jornalistas David Ágape e Eli Vieira no site Civilization Work do jornalista Michael Shellenberger publicaram mais uma reportagem denúncia que sustenta: Após 8/1/2023, formou-se uma estrutura paralela de inteligência ligada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes que, com apoio de setores do TSE, teria classificado e mantido presos centenas de detidos usando “certidões” informais baseadas em redes sociais e bancos de dados internos — fora dos canais legais tradicionais.
Como a operação teria funcionado:
• Criação de um grupo de WhatsApp (“Audiências de Custódia”) para coordenar a triagem dos presos.
• Produção de “certidões” (positivas/negativas) a partir de buscas rápidas em Facebook, X/Twitter, Instagram, etc., e consultas a cadastros como o GestBio (biometria do TSE).
• Critérios alegados para “positivar” alguém incluíam postagens críticas ao STF/Lula, participação em grupos de WhatsApp/Telegram ou simples compartilhamento de conteúdo sobre os protestos.
• Essas certidões não entravam formalmente nos autos, mas, segundo o texto, pesavam para manter pessoas presas.
Números citados:
• 243 presos dentro de prédios públicos em 8/1;
• 1.929 detidos no dia seguinte em acampamentos;
• Em listas do STF, 1.406 tiveram prisão decretada; 942 prisões preventivas e 464 liberdades provisórias.
• A amostra analisada pela reportagem sugere que ninguém com “certidão positiva” foi solto; mesmo com “negativa”, muitos permaneceram presos.
Casos ilustrativos:
O texto traz exemplos de pessoas “positivadas” por:
• um único post/meme questionando as eleições;
• um link para petição “em defesa das liberdades”;
• tweets antigos (até de 2018) criticando o PT/Lula;
• uma imagem com a frase “Fazer valer a Constituição não é golpe”.
• Há destaque para idosos/doentes (como Vildete da Silva Guardia) e para um caminhoneiro (Claudiomiro Soares), entre outros.
Audiências de custódia:
• A peça afirma que decisões sobre manter ou soltar ficaram centralizadas em Moraes, e que juízes de 1ª instância só verificavam a legalidade formal da prisão.
• A PGR teria pedido liberdade para alguns, mas a soltura teria sido condicionada à varredura prévia de redes sociais.
• Mensagens e até emojis de um juiz são apresentados como indício de viés e “jogo de cartas marcadas”.
Ato do Dia da Mulher (8/3/2023):
• O STF anunciou a libertação de 149 mulheres nessa data. O texto afirma que, dias antes, houve esforço para “positivar” algumas e manter outras presas; cita que só uma libertação estaria claramente documentada na mídia e que várias foram presas novamente depois por descumprimentos formais (como tornozeleira).
Uso de “parceiros externos”:
• Segundo a reportagem, houve pedidos (inclusive por e-mail pessoal atribuído a Moraes) para que colaboradores externos — como agências de verificação e universidades — ajudassem a vasculhar grupos privados e entregassem material ao tribunal.
Avaliações jurídicas citadas:
Juristas entrevistados apontam, segundo o texto:
• extrapolação de competências do TSE (que teria atuado como braço investigativo);
• violações ao devido processo (certidões informais, prazos de custódia, juiz natural);
• uso indevido de dados sensíveis (biometria) fora da finalidade eleitoral;
• desproporcionalidade de penas e risco de “justiça seletiva”.
Conclusão do documento:
A investigação sustenta que o Brasil teria, na prática, adotado um “sistema de justiça paralelo” no pós-8/1: decisões de prisão e restrições baseadas em perfis digitais e listas informais, com colaboração de atores externos e pouca transparência, o que — na visão dos autores e dos juristas citados — mina a separação de poderes e o Estado de Direito.
Macro Tema: Vítimas do regime citadas no Artigo:
Vildete da Silva Guardia: Inicialmente foi marcada por engano como “positiva” — confundida com outra pessoa. Depois corrigida para “negativa”, mas isso não resultou em soltura imediata. Idosa de 74 anos, com graves problemas de saúde, permaneceu presa por 21 dias, libertada apenas após hemorragia intestinal. Condenada a 11 anos e 11 meses e multa de R$ 30 milhões compartilhada. Passou meses na prisão em cadeira de rodas, teve prisão domiciliar concedida em abril de 2025, mas voltou à prisão em julho de 2025 por suposto descumprimento das condições.
Claudiomiro da Rosa Soares: O motivo da certidão positiva foram postagens no Facebook criticando Lula, questionando as eleições de 2022, chamando ministros do STF de “vendidos” e ironizando Alexandre de Moraes (“cabeça de ovo”). Preso no dia 9 de janeiro de 2023 em acampamento militar, não participou de atos violentos. Ficou 11 meses e 7 dias preso preventivamente.
Adenilson Demetrio de Cordova: O motivo da certidão positiva foi uma única postagem encontrada no X (Twitter) compartilhando link para petição “Manifesto à Nação Brasileira – Em Defesa da Liberdade”, de meses antes das eleições, com zeros seguidores. Preso em 8 de janeiro em Brasília, afirmou que protestava pacificamente. Cumpriu 4 meses de prisão, depois mais de um ano em prisão domiciliar com tornozeleira. Declarou dificuldades financeiras e dívidas para custear defesa.
Ademir da Silva: O motivo da certidão positiva foi uma única postagem no Instagram com a frase “Fazer valer a Constituição não é golpe”, considerada “antidemocrática” e sinal de insatisfação com resultado eleitoral. Nenhum outro conteúdo citado. Classificação usada para justificar sua prisão.
Ademir Domingos Pinto da Silva: O motivo da certidão positiva forma cinco tweets de 2018 criticando Lula e o PT, sem menção a 8 de janeiro ou eleições de 2022. Vendedor ambulante que chegou ao acampamento após os distúrbios apenas para vender bandeiras e camisetas; foi detido. Cumpriu 4 meses de prisão e recebeu condenação criminal. Hoje cumpre serviço comunitário e usa tornozeleira eletrônica.
Regina Aparecida Modesto: Engenheira de 55 anos e pastora ordenada de São Paulo. Presa após ir a Brasília para orar com um grupo de pastores em 8 de janeiro. Ela foi condenada a 17 anos de prisão. Passou sete meses em prisão preventiva, perdeu sua casa e contratos no valor de milhões e desenvolveu sinais de câncer de cólon enquanto estava sob custódia.
Dirce Rogério: Mulher de 55 anos de Santa Catarina. Apesar de não haver provas de violência, foi condenada a 16 anos. A Polícia Federal a prendeu novamente em 2024, alegando risco de fuga.
Jaqueline Freitas Gimenez: Mãe de dois filhos pequenos. Condenada a 17 anos de prisão por participar de protestos. Ela tem enfrentado dificuldades para ter acesso à defesa jurídica desde sua prisão.
Alessandra Malvina Trindade: Acusada de incitação por participar de protestos pacíficos. Nunca entrou em prédios públicos e não participou dos distúrbios de 8 de janeiro.
Rafael Teixeira Marques : Analista de sistemas de Brasília. Não foi condenado, mas está sob restrições severas: proibido de usar redes sociais, com passaporte confiscado e toque de recolher imposto — apesar de uma certidão negativa e da ausência de conduta violenta.
Edemilson da Cruz: Indiciado em 2023 e detido na Penitenciária da Papuda. Apesar de não ter antecedentes de atos violentos e de uma certidão negativa, permaneceu preso por meses por ordem do juiz Moraes.
Carlos Roberto Horstmann: Listado entre os 942 detidos mantidos na prisão após audiências de custódia, embora sua triagem digital não tenha mostrado nenhuma evidência incriminatória.
Camila Mendonça Marques: Vendedora de materiais de construção, mãe de dois filhos, libertada em 8/3/2023 no Dia Internacional da Mulher por ser única responsável pelos filhos. Presa novamente meses depois por falha em tornozeleira e acusação de planejar fuga.
Cleriston Pereira da Cunha (“Clezão”): Preso do 8/1 que morreu sob custódia após Moraes ignorar recomendação do Ministério Público para soltura, fato que gerou indignação pública.
Macro Tema: Críticas de Juristas
Segue a lista de todos os juristas e advogados citados na seção “O que dizem os especialistas em direito” do documento, com um resumo sobre a principal crítica feita:
1. Marco Aurélio Mello (ex-ministro do STF)
Critica a concentração de poderes nas mãos de Alexandre de Moraes e a falta de transparência do Supremo. Afirma que as sentenças (15 a 17 anos) são desproporcionais para manifestantes, comparáveis a penas de assassinos. Defende a anistia como reconciliação nacional. Condena o uso de aplicativos como WhatsApp para tratar de casos judiciais, exigindo comunicações formais. Alerta que sem órgão de revisão o devido processo é comprometido.
2. Richard Campanari (advogado constitucionalista, membro da ABRADEP)
Afirma que o TSE extrapolou sua competência ao atuar como órgão investigativo criminal, algo inconstitucional. Denuncia o uso indevido do banco de dados biométricos GestBio e de “certidões” para manter presos, mesmo com recomendação de soltura do MP. Critica a atuação da AEED fora do período eleitoral e sem base legal, violando separação de poderes. Alerta para vigilância ilegal e abuso de autoridade. Conclui que combater desinformação não pode justificar erosão de liberdades civis.
3. Enio Viterbo (advogado, doutor em História pela Universidade de Lisboa)
Alega que Moraes usou servidores do TSE para investigações extraoficiais, violando finalidade institucional. Critica a transferência irregular de pessoal e o acesso a dados sem ordem judicial. Destaca que chamar os eventos de “atos terroristas” revela falta de imparcialidade, pois nenhum réu foi acusado desse crime. Questiona a legalidade de audiências de custódia sem poder de libertar presos. Afirma que o TSE não pode atuar como extensão do STF.
4. André Marsiglia (advogado especialista em liberdade de expressão)
Considera ilegal o TSE produzir certidões que influenciem prisões, pois investigar é função exclusiva do Ministério Público. Afirma que órgão julgador não pode produzir provas — isso compromete a imparcialidade e vicia o processo. Classifica a prática como típica de regimes autoritários. Critica a fusão entre quem acusa e quem julga. Reforça que tal delegação é inconstitucional e destrói a separação de funções no processo penal.
5. Silvio Kuroda (advogado de investigada, especialista em Direito Público, ex-assessor do STJ)
Sustenta que o procurador adjunto Carlos Frederico dos Santos não tinha legitimidade constitucional para apresentar acusações, papel que cabia à vice-procuradora Lindôra Araújo. Menciona parecer de Lindôra que considerou inconstitucional e ilegal o uso da AEED como braço investigativo. Afirma que houve violação ao sistema acusatório brasileiro. Destaca que a AEED agiu como polícia investigativa fora de sua competência eleitoral. Denuncia que afastamento de Lindôra facilitou contornar resistências internas no MPF.
6. Hugo Freitas (advogado, mestre em Direito pela UFMG)
Critica uso de “atividades em redes sociais” como critério para prisão preventiva, sem ameaça concreta à ordem pública. Afirma que Estado está decidindo liberdade com base em ideologia, o que é incompatível com a Constituição e liberdade de expressão. Condena acordos de não-processo penal condicionados a “cursos sobre democracia”, chamando de reeducação ideológica forçada. Questiona libertações ligadas a datas simbólicas, como o Dia da Mulher. Afirma que o Judiciário está sendo desviado para fins políticos.
ANEXO 3 – DENÚNCIA DO TAGLIAFERRO
Dossiê Completo – Depoimento de Eduardo Tagliaferro de 02 de setembro de 2025: CSP debate atuação da USAID no Brasil e relatório “Arquivos do 8 de Janeiro”
(84) CSP debate atuação da USAID no Brasil e relatório “Arquivos do 8 de Janeiro” – 2/9/25 – YouTube
1. Atuação com “poder de polícia”
- Tagliaferro afirmou: “O grupo tinha acesso privilegiado a dados e funcionava de forma parecida com uma CPI, mas sem base legal.”
- As denúncias eram acionadas mesmo por detalhes triviais, como fotos de bandeiras ou imagens de apoiadores de Bolsonaro.
- O gabinete tinha autonomia para monitorar redes sociais e identificar indivíduos considerados críticos ao STF, TSE ou Lula.
2. Relatórios enviados direto a Alexandre de Moraes
- “As informações não passavam pelo processo judicial formal, eram enviadas por WhatsApp, e-mail pessoal ou intermediários ligados ao gabinete.”
- Intermediários citados:
- Capitão Wellington, segurança pessoal de Moraes
- Adaires Aguiar Lima, secretária de transporte do TSE
- Gisele Siqueira, ex-secretária de comunicação do TSE, nora da jornalista Miriam Leitão
3. Acesso ao sistema GEST Bill
- O Gabinete utilizou o Sistema do TSE com dados de todos os eleitores do país.
- A autorização verbal foi dada por Benedito Gonçalves (ministro).
- Segundo Tagliaferro, o acesso foi intensificado após 8 de janeiro de 2023 para monitorar manifestantes e opositores.
4. Nomeações e “prêmios” políticos
Pessoas envolvidas nessa rede do gabinete depois ganharam cargos importantes:
- Ludmila Boldo Maluf → hoje no CADE como assessora.
- José Levi (ex-AGU) → hoje conselheiro do CADE.
- José Fernando Chui → corregedor da ABIN.
- “Essas nomeações reforçaram a rede e permitiram a continuidade das ações de monitoramento e perseguição.”
5. Universidades e ONGs como “parceiros”
- Grupos ligados à UFRJ, FGV e UFMG auxiliaram na coleta de informações.
- Samara Castro (secretária de comunicação da Presidência) teve participação ativa em relatórios.
6. Critérios de perseguição
- As pessoas alvos eram os críticos ao STF, TSE, eleições e a Lula, incluindo aqueles que apenas questionavam ministros.
- Tagliaferro enfatizou: “100% dos alvos eram de direita ou simpatizantes de Bolsonaro. Não houve monitoramento da esquerda.”
7. Clima de pressão e adoecimento interno
- Tagliaferro relata um ambiente de trabalho “terrível”, com pressão psicológica e ameaças de exoneração.
- Juiz Airton Vieira teria tido desmaiado de estresse em 7 de setembro de 2022.
8. Frase de Benedito Gonçalves (“Missão dada é missão cumprida”)
- Tagliaferro diz não saber o contexto, mas reconhece que a expressão circuVaza e que o acesso ao GEST Bill foi autorizado por ele.
9. Influência de Alexandre de Moraes em SP e no MP
- Tagliaferro relata que processos contra ele no TJ-SP e no MP foram conduzidos de forma absurda, ignorando provas e até depoimentos de vítimas.
- “A influência de Moraes atinge a imprensa, como o ‘Twitter Files’, que parou misteriosamente.”
10. Prisão por curtidas e críticas
- Reconhece que houve prisões e condenações de pessoas apenas por curtir, compartilhar ou criticar autoridades.
- “Foi atentado à liberdade de expressão, à democracia e à dignidade da pessoa humana.”
11. Perseguição exclusiva à direita
- Tagliaferro faz desafio público a Moraes: “Prove que houve investigação sobre pessoas da esquerda; não houve nenhum caso.”
- Garante que 100% dos alvos eram de direita ou simpatizantes de Bolsonaro.
12. TSE extrapolando competências
- Reconhece que a resolução do “poder de polícia” poderia ter algum respaldo apenas durante o período eleitoral, mas tudo o que veio depois seria desvio de finalidade.
- Diz que isso consolidou um “estado policial” no Brasil.
13. Critérios de vigilância
- Contas com mais de 500 seguidores ou que alcançassem mais de 1.000 visualizações eram monitoradas.
14. 8 de Janeiro de 2023
- No gabinete dele só chegaram certidões positivas/negativas (ligadas a redes sociais dos manifestantes).
- Afirma que as imagens das câmeras não chegaram ao TSE, apenas fotos isoladas vindas do Congresso e da PF.
15. Produção de provas
- No gabinete dele só chegaram certidões positivas/negativas (ligadas a redes sociais dos manifestantes).
- Afirma que as imagens das câmeras não chegaram ao TSE, apenas fotos isoladas vindas do Congresso e da PF.
16. Caso das inserções de rádio em 2022
- Confirma que Alexandre Gomes Machado (servidor) foi exonerado após alertar sobre inserções de Bolsonaro que não foram veiculadas.
- Diz que Ludmila Boldo Maluf estava diretamente ligada a isso.
17. Adaires Aguiar Lima (“a militante infiltrada”)
- Secretária de transportes do TSE, mas atuava politicamente como militante do PT.
- Teria se infiltrado em festas bolsonaristas para coletar informações.
- Era chamada de “a bruxa do TSE”.
@ires_lima
18. José Levi e Ludmila Boldo Maluf
- Confirma que ambos hoje estão no CADE (ele como conselheiro, ela como assessora).
- Levi foi presidente da comissão de regulação das redes sociais no TSE.
19. Risco pessoal de Tagliaferro
- Diz temer por sua segurança e de sua família no Brasil.
- “Alexandre de Moraes expôs publicamente o endereço antigo das minhas filhas, atitude criminosa.”
20. CPI da Vasa Toga
- Senador Espiridião Amin afirma que as revelações de Tagliaferro já são a base dessa CPI.
- Tagliaferro confirma e diz que tem documentação.
- Certidões sobre presos do 8/1
- Explica que seu gabinete só emitia parecer positivo/negativo de identificação.
- Reconhece que até mesmo presos com certidões “negativas” (sem envolvimento) continuaram encarcerados.
- Dia das Mulheres (2023)
- Cita que houve tentativa de liberar presas para coincidir com a data, mas não conseguiu confirmar número.
- Busca e apreensão e fabricação de provas
- Alegações de que decisões judiciais foram produzidas após as ações de busca e apreensão, apenas para justificar atos já realizados.
- Destaca que metadados de documentos mostram que foram criados dias depois da apreensão, o que seria indício de fraude.
- Material sigiloso e manipulação
- Relatos sobre preservação de dados em celulares e notebooks, garantindo que autoridades não tivessem acesso, incluindo conversas de WhatsApp e arquivos volumosos.
- Menciona que materiais chegaram posteriormente à análise, permitindo perícia, e critica a falta de cobertura midiática.
- Atos ilegais e extrapolação de funções
- Acusa o ministro Alexandre de Moraes de usar o TSE para perseguir opositores políticos, ordenando certidões que influenciavam prisões ou liberações de cidadãos, sem base legal clara, e utilizando dados biométricos para identificar manifestantes.
- Pressão sobre servidores
- Tagliaferro relata ameaças e coação sobre si e sua equipe, exigindo assinatura de documentos para proteger todos, mesmo fora da legalidade.
- Uso de parceiros externos
- Menciona que algumas agências e universidades ajudavam a coletar informações, mas dentro de contratos formais, e que nunca houve uso de sistemas da Polícia Civil para fins políticos.
- Falecimento de Clesão e reação do TSE
- Informa datas de falecimento e a falta de conhecimento ou contato sobre a reação interna ao caso.
- Participação da ABIM/Chui
- Relata que José Fernando Moraes Chui se envolveu com pedidos de aproximação do TSE com a Polícia Federal, mas não teria conduzido ações diretas contra parlamentares ou jornalistas.
- Alguns atos de levantamento de dados ou relatórios teriam função de segurança, não perseguição.
- Encaminhamento de provas
- Tagliaferro sugere que todo o material que possui seja enviado à imprensa, ao Supremo e ao Senado, para interromper julgamentos que considera “contaminados” por fraude.
- Indícios de parcialidade de delegados e servidores
- Afirma que certos delegados e assessores foram indicados por influência política, principalmente ligada a Alexandre de Moraes, e que não teriam isenção para cargos de relevância como o de corregedor geral da ABIN.
- Sugere que esses servidores estariam inseridos em um “esquema” de influência política.
- Monitoramento direcionado
- Gabinete de Alexandre de Moraes teria monitorado exclusivamente parlamentares, jornalistas e influenciadores ligados à direita, ignorando conteúdos de esquerda, com o objetivo de produzir relatórios que poderiam justificar ações judiciais e medidas de censura.
- Acesso a dados e relatórios internos
- Tagliaferro afirma que a equipe não tinha controle sobre o uso posterior do material produzido e que os relatórios eram exclusivos para uso do gabinete de Moraes.
- Ele nega ter recebido instruções para não registrar oficialmente ordens de levantamento de dados.
- Pressões e tentativas de silenciamento
- Após deixar o TSE, Tagliaferro relata ter sofrido ameaças e pressões, inclusive com bloqueio de contas e derrubada de canais no YouTube usados para retransmitir a audiência, atribuindo essas ações a Alexandre de Moraes.
- Critério de desinformação pessoal
- Confirma que não havia critérios formais para definir “desinformação” ou práticas ilegais; as decisões eram de cunho pessoal do Ministro e de seus auxiliares.
- Diálogo com autoridades externas
- Tagliaferro descreve comunicações com assessores e advogados do PGR, esclarecendo que encaminhava documentos e pedidos de levantamento de dados solicitados pelo gabinete, mas nega que houvesse ordens para criar provas falsas.
- Violação de direitos humanos e devido processo legal
- Denuncia que a atuação do gabinete desrespeitava o devido processo legal, usando o exemplo da revista Oeste e de influenciadores monitorados sem fundamento jurídico claro.
- Pedidos de proteção internacional
- Tagliaferro solicitou proteção do governo italiano, onde atualmente reside, além de medidas de segurança para familiares no Brasil, diante das alegadas ameaças à sua família e à sua integridade.
- Ausência de encaminhamento às autoridades competentes
- Questão central: se provas de supostas ilegalidades e crimes foram encaminhadas ao Ministério Público ou à Polícia Federal, sem resposta clara no trecho transcrito.
- Discussão sobre formalização de denúncia
- Parlamentares questionam se houve denúncia formal ou apenas divulgação parcial de informações em posse de Eduardo Tagliaferro.
- É apontado que tanto a Polícia Federal quanto a PGR estariam “contaminadas” e parcializadas, dificultando o processo.
- Sugere-se que mesmo sem providências imediatas, é importante formalizar a denúncia para que futuramente alguém responda pelo que fez ou deixou de fazer.
- Críticas à atuação do STF e de Alexandre de Moraes
- Eduardo Tagliaferro apresenta documentos e conversas de WhatsApp que supostamente demonstram perseguição política, forjamento de provas e abuso de poder por Alexandre de Moraes.
- Parlamentares destacam que meios de comunicação teriam sido usados para incriminar pessoas inocentes.
- Afirma-se que a atuação concentrada de investigação, acusação e julgamento em uma única figura representa afronta ao devido processo legal.
- Atuação do Congresso e propostas de CPI
- Parlamentares ressaltam a importância de encaminhar o material à Procuradoria-Geral da República e registrar formalmente as denúncias.
- Há pedidos para instalação de CPI de abuso de autoridade, com referência à necessidade de interromper práticas abusivas antes de votações como impeachment de Alexandre de Moraes.
- Indica-se que futuras audiências (como a na subcomissão de combate à censura) continuarão a investigação e esclarecimento das denúncias apresentadas.
- Casos específicos e alegações de coerção
- Menciona-se julgamento do pai do senador Flávio Bolsonaro, com críticas à utilização de delações sem provas e pressão sobre familiares.
- Questiona-se se ex-assessores sofreram ameaças caso não colaborassem com declarações desejadas pelo STF ou pelo ministro Alexandre de Moraes.
- O argumento central é que há uma diferença entre testemunhos sem evidências e evidências documentadas apresentadas por Tagliaferro, que teriam sido ignoradas pela Justiça.
- Entrada e atuação de Tagliaferro no TSE
- Eduardo Tagliaferro entrou no Tribunal Superior Eleitoral sem conhecer previamente sua função, esperando lidar apenas com desinformação técnica.
- Percebeu, logo na primeira semana, que o gabinete apresentava viés político, atuando exclusivamente contra pessoas de direita.
- Observou práticas irregulares em processos envolvendo empresários, confirmando suspeitas de manipulação interna.
- Atuou discretamente, mantendo registros e provas de irregularidades para futura exposição, conquistando confiança interna sem prejudicar terceiros.
- Perseguição política e viés do gabinete
- Tagliaferro afirmou que nunca houve censura ou perseguição contra figuras da esquerda; todos os alvos eram de direita.
- O gabinete de enfrentamento à desinformação funcionava como instrumento de perseguição política, sob direcionamento do ministro Alexandre de Moraes.
- As ações incluíam difamação e prejuízo a políticos, influenciadores e empresários alinhados à direita.
- Alexandre de Moraes teria interesse em prejudicar a oposição, possivelmente visando futuros objetivos políticos pessoais.
- Bloqueio de contas e medidas fora da lei
- Tagliaferro confirmou bloqueios processuais, como o da filha de Osvaldo Eustáquio (16 anos), autorizados pelo gabinete de Moraes via PJE/TSE.
- Destacou que tais medidas afetavam atividades básicas da população e exemplificavam abuso de poder direcionado à direita.
- O material enviado aos órgãos internacionais continha provas de irregularidades e foi utilizado para relatórios de denúncia.
- Ameaças, riscos e exposição
- Não sofreu ameaças diretas de integrantes do tribunal, mas houve ameaças veladas e exposição de dados pessoais e familiares em processos públicos.
- Recebeu ataques via perfis falsos de militantes de esquerda nas redes sociais, com mensagens de ódio e ameaças de morte, sem possibilidade de identificação de autores específicos.
- Encaminhamentos da comissão
- Relatórios das denúncias foram enviados a órgãos nacionais: STF, TSE, CNJ, CNMP e OAB.
- Encaminhamentos também alcançaram órgãos internacionais, incluindo Itália, Argentina, Paraguai, Espanha, Polônia, OEA e Parlamento Europeu.
- Foi solicitado a suspensão de julgamentos de réus do 8 de janeiro e reforçada a proteção de Tagliaferro e família, reconhecendo sua condição de exilado político.
- Interações, questionamentos e contexto eleitoral
- Senadores e deputados questionaram a possível interferência de observadores internacionais nas eleições de 2022.
- Tagliaferro afirmou não ter conhecimento de atuação da USAID ou dos EUA, apenas da presença de observadores da OEA.
- Debates abordaram os impactos de 30 anos de influência da esquerda em instituições e profissões liberais, destacando riscos para a democracia.
- Dimensão simbólica, religiosa e motivacional
- Senadores elogiaram a coragem de Tagliaferro, conectando sua postura a missão e propósito divinos.
- Houve incentivo à mobilização popular em datas estratégicas (como 7 de setembro), reforçando apoio a Bolsonaro e a defesa de valores conservadores, éticos e familiares.
- O depoimento foi interpretado como um ato simbólico de resistência à perseguição política, comparando Tagliaferro a figuras bíblicas de missão e espionagem.
- Divulgação e alcance da sessão
- O depoimento foi transmitido em plataformas de streaming e redes sociais, ampliando alcance das denúncias.
- Destacou-se o papel da assessoria na coleta e organização de informações, garantindo formalidade e legalidade na exposição dos dados.
- Tagliaferro expressou total disponibilidade para colaborar com futuras comissões ou apurações legais.
- Impactos e reconhecimento
- A sessão reforçou a narrativa de que Tagliaferro entrou para a história do Brasil, expondo práticas ilegais e perseguição política no tribunal.
- Senadores destacaram o caráter histórico e simbólico do depoimento, reconhecendo sua coragem e desprendimento pessoal.
- Foram reafirmadas recomendações de proteção a exilados políticos e necessidade de divulgação das denúncias para a população nacional e internacional.

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