A crise do jornalismo brasileiro não começou ontem. Ela foi gestada durante décadas de hegemonia progressista, incubada nas faculdades de comunicação e consolidada nas grandes redações. O que antes se chamava “imprensa” se transformou num aparelho ideológico homogêneo, fechado em si mesmo, incapaz de autocrítica e devotado a um projeto: moldar a opinião pública de acordo com os interesses da elite progressista. O que os jornais chamam de “verdade” hoje é apenas a interpretação que convém à redação.
1) A hegemonia progressista e o viés político integral das grandes mídias
As pesquisas já deixam o problema escancarado. No Reino Unido, 77% dos jornalistas se declaram de esquerda; no Brasil, 80,7%. Na prática, isso significa redações construídas como trincheiras ideológicas, não como espaços de apuração dos fatos. A tese de que o jornalismo brasileiro tem “pluralidade” é uma fraude: trata-se de uma mesma visão política reproduzida com pequenas variações de estilo.
É agenda-setting em estado puro — exatamente como descrevia Elisabeth Noelle-Neumann na teoria da Espiral do Silêncio: um grande veículo publica a linha do dia e todos os demais replicam o mesmo enquadramento, como se tivéssemos múltiplas vozes dizendo a mesma coisa. Na verdade, é sempre o mesmo texto-mãe, apenas reembalado.
Essa engrenagem é composta por um circuito de jornalistas interligados, obediente às chefias de redação e aos “comitês invisíveis”, reproduzindo automaticamente as palavras-de-ordem do progressismo global. Uma “máfia de redações”: um sistema coordenado, mutuamente reforçado, impermeável ao contraditório e incapaz de reconhecer os próprios erros.
Esse jornalismo não noticia — orienta o público. Não informa — doutrina. Não descreve a realidade — molda a narrativa para que a realidade se dobre aos seus dogmas.
A BBC, a Folha, a Globo, o Estadão, a CNN — todas repetem o mesmo padrão: filtram a informação; manipulam a linguagem; distorcem enquadramentos; protegem aliados políticos; e demonizam adversários.
Fazem tudo isso com a naturalidade de quem acredita que está cumprindo um dever moral superior revolucionário de justiçador social. Quando flagradas em manipulação flagrante — como a BBC no caso Trump — simplesmente dão de ombros. A narrativa vale mais que o fato.
2) A geração de jornalistas que se vê como sacerdócio moral
A nova geração de jornalistas, formada nas universidades dominadas pela hegemonia progressista, não foi educada para relatar fatos. Foi moldada para “conduzir” a sociedade. O jornalista e apresentador Tiago Leifert testemunhou isso com perfeição:
“A sensação de que você é um enviado dos céus e veio ensinar às pessoas o que elas devem fazer… esse tom professoral, paternalista, me deixava maluco.”
Esse é o espírito da geração que domina as redações. Eles não acreditam que o público tem direito ao julgamento próprio. Acreditam que o público precisa ser guiado — e eles são os guias.
Alexandre Garcia repete há anos o diagnóstico: faculdades de comunicação formam “militantes ideológicos” que confundem opinião com fato, ativismo com reportagem. Os jovens jornalistas são preparados não para investigar, mas para sentenciar. Eles não apuram, acusam. Não analisam, julgam. Não informam, pregam.
Esse comportamento sacerdotal se manifesta em tudo: o tom professoral das reportagens; a infantilização do leitor; a presunção de superioridade moral; o desprezo aberto por quem discorda da narrativa; e a convicção de que são “iluminados” responsáveis por “salvar a democracia”.
A imprensa se transformou num clero secular — arrogante, autorreferente, sustentado por fundos públicos, blindado à crítica e convencido de que sua visão política é moralmente superior. É justamente esse narcisismo ideológico que destruiu a credibilidade da profissão.
3) As redes sociais: o terremoto que veio para destruir a velha ordem jornalística
O que vem desmoronando com a hegemonia midiática não foi Bolsonaro, Trump ou qualquer político. Foi a descentralização da informação.
As redes sociais transformaram o leitor em produtor de conteúdo. O cidadão comum ganhou voz — e isso quebrou para sempre o monopólio dos jornalistas sobre o discurso público. Antes, se o leitor via um absurdo num jornal, não podia responder. No máximo, escrevia uma carta que nunca seria publicada. Hoje, o leitor comenta diretamente no perfil do jornalista no X, no Instagram ou no YouTube — e desmonta a narrativa em tempo real.
Eu mesmo escrevo hoje análises, público artigos, como este, exponho contradições, refuto colunistas e tento formar audiência própria. Hoje, qualquer cidadão com competência e clareza se torna jornalista de fato. E isso é intolerável para a velha mídia.
Daí a sanha pela censura. Daí a tentativa de regular redes sociais como se fossem ameaças existenciais. Não é a mentira que os assusta — é a perda do monopólio. Não é a desinformação que os fere — é o fim da Espiral do Silêncio. Não é a radicalização que os preocupa — é a irrelevância iminente.
A verdade é simples: as redes sociais libertaram o público da tutela jornalística. E o jornalismo progressista jamais se conformará com isso.
Conclusão: O funeral da velha imprensa
A crise do jornalismo brasileiro é terminal porque sua doença é moral. Perdeu a humildade. Perdeu a objetividade. Perdeu a pluralidade. Perdeu o senso de realidade. Perdeu a confiança do povo. E não há retorno.
O Brasil entrou numa nova era: a da descentralização absoluta da palavra. A velha mídia chamará isso de “ameaça à democracia”, quando na verdade é exatamente o contrário: é a democratização da palavra, da crítica, da análise e da verdade.
O jornalismo progressista pode até continuar berrando suas certezas. Mas ninguém mais está ouvindo — e, principalmente, ninguém mais está obedecendo.

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