Dossiê Completo – Depoimento de Eduardo Tagliaferro (02 de setembro de 2025): CSP debate atuação da USAID no Brasil e relatório “Arquivos do 8 de Janeiro”

https://www.youtube.com/watch?v=oieFljkCeSc&list=WL&index=1

  1. Atuação com “poder de polícia”
    • Tagliaferro afirmou: “O grupo tinha acesso privilegiado a dados e funcionava de forma parecida com uma CPI, mas sem base legal.”
    • As denúncias eram acionadas mesmo por detalhes triviais, como fotos de bandeiras ou imagens de apoiadores de Bolsonaro.
    • O gabinete tinha autonomia para monitorar redes sociais e identificar indivíduos considerados críticos ao STF, TSE ou Lula.
  2. Relatórios enviados direto a Alexandre de Moraes
    • “As informações não passavam pelo processo judicial formal, eram enviadas por WhatsApp, e-mail pessoal ou intermediários ligados ao gabinete.”
    • Intermediários citados:
    o Capitão Wellington, segurança pessoal de Moraes
    o Adaires Aguiar Lima, secretária de transporte do TSE
    o Gisele Siqueira, ex-secretária de comunicação do TSE, nora da jornalista Miriam Leitão
  3. Acesso ao sistema GEST Bill
    • O Gabinete utilizou o Sistema do TSE com dados de todos os eleitores do país.
    • A autorização verbal foi dada por Benedito Gonçalves (ministro).
    • Segundo Tagliaferro, o acesso foi intensificado após 8 de janeiro de 2023 para monitorar manifestantes e opositores.
  4. Nomeações e “prêmios” políticos
    Pessoas envolvidas nessa rede do gabinete depois ganharam cargos importantes:
    • Ludmila Boldo Maluf → hoje no CADE como assessora.
    • José Levi (ex-AGU) → hoje conselheiro do CADE.
    • José Fernando Chui → corregedor da ABIN.
    o “Essas nomeações reforçaram a rede e permitiram a continuidade das ações de monitoramento e perseguição.”
  5. Universidades e ONGs como “parceiros”
    • Grupos ligados à UFRJ, FGV e UFMG auxiliaram na coleta de informações.
    • Samara Castro (secretária de comunicação da Presidência) teve participação ativa em relatórios.
  6. Critérios de perseguição
    • As pessoas alvos eram os críticos ao STF, TSE, eleições e a Lula, incluindo aqueles que apenas questionavam ministros.
    • Tagliaferro enfatizou: “100% dos alvos eram de direita ou simpatizantes de Bolsonaro. Não houve monitoramento da esquerda.”
  7. Clima de pressão e adoecimento interno
    • Tagliaferro relata um ambiente de trabalho “terrível”, com pressão psicológica e ameaças de exoneração.
    • Juiz Airton Vieira teria tido desmaiado de estresse em 7 de setembro de 2022.
  8. Frase de Benedito Gonçalves (“Missão dada é missão cumprida”)
    • Tagliaferro diz não saber o contexto, mas reconhece que a expressão circulava e que o acesso ao GEST Bill foi autorizado por ele.
  9. Influência de Alexandre de Moraes em SP e no MP
    • Tagliaferro relata que processos contra ele no TJ-SP e no MP foram conduzidos de forma absurda, ignorando provas e até depoimentos de vítimas.
    • “A influência de Moraes atinge a imprensa, como o ‘Twitter Files’, que parou misteriosamente.”
  10. Prisão por curtidas e críticas
    • Reconhece que houve prisões e condenações de pessoas apenas por curtir, compartilhar ou criticar autoridades.
    • “Foi atentado à liberdade de expressão, à democracia e à dignidade da pessoa humana.”
  11. Perseguição exclusiva à direita
    • Tagliaferro faz desafio público a Moraes: “Prove que houve investigação sobre pessoas da esquerda; não houve nenhum caso.”
    • Garante que 100% dos alvos eram de direita ou simpatizantes de Bolsonaro.
  12. TSE extrapolando competências
    • Reconhece que a resolução do “poder de polícia” poderia ter algum respaldo apenas durante o período eleitoral, mas tudo o que veio depois seria desvio de finalidade.
    • Diz que isso consolidou um “estado policial” no Brasil.
  13. Critérios de vigilância
    • Contas com mais de 500 seguidores ou que alcançassem mais de 1.000 visualizações eram monitoradas.
  14. 8 de Janeiro de 2023
    • No gabinete dele só chegaram certidões positivas/negativas (ligadas a redes sociais dos manifestantes).
    • Afirma que as imagens das câmeras não chegaram ao TSE, apenas fotos isoladas vindas do Congresso e da PF.
  15. Produção de provas
    • No gabinete dele só chegaram certidões positivas/negativas (ligadas a redes sociais dos manifestantes).
    • Afirma que as imagens das câmeras não chegaram ao TSE, apenas fotos isoladas vindas do Congresso e da PF.
  16. Caso das inserções de rádio em 2022
    • Confirma que Alexandre Gomes Machado (servidor) foi exonerado após alertar sobre inserções de Bolsonaro que não foram veiculadas.
    • Diz que Ludmila Boldo Maluf estava diretamente ligada a isso.
  17. Adaires Aguiar Lima (“a militante infiltrada”)
    • Secretária de transportes do TSE, mas atuava politicamente como militante do PT.
    • Teria se infiltrado em festas bolsonaristas para coletar informações.
    • Era chamada de “a bruxa do TSE”.
    (16) TRE-AP no X: “A Secretária do Controle Interno do TSE, Adaíres Aguiar Lima, explicou sobre Controle Interno e Orientação à Gestão. http://t.co/6ZQSXmwUGn” / X
    @ires_lima
  18. José Levi e Ludmila Boldo Maluf
    • Confirma que ambos hoje estão no CADE (ele como conselheiro, ela como assessora).
    • Levi foi presidente da comissão de regulação das redes sociais no TSE.
  19. Risco pessoal de Tagliaferro
    • Diz temer por sua segurança e de sua família no Brasil.
    • “Alexandre de Moraes expôs publicamente o endereço antigo das minhas filhas, atitude criminosa.”
  20. CPI da Vasa Toga
    • Senador Espiridião Amin afirma que as revelações de Tagliaferro já são a base dessa CPI.
    • Tagliaferro confirma e diz que tem documentação.
  21. Certidões sobre presos do 8/1
    • Explica que seu gabinete só emitia parecer positivo/negativo de identificação.
    • Reconhece que até mesmo presos com certidões “negativas” (sem envolvimento) continuaram encarcerados.
  22. Dia das Mulheres (2023)
    • Cita que houve tentativa de liberar presas para coincidir com a data, mas não conseguiu confirmar número.
  23. Busca e apreensão e fabricação de provas
    • Alegações de que decisões judiciais foram produzidas após as ações de busca e apreensão, apenas para justificar atos já realizados.
    • Destaca que metadados de documentos mostram que foram criados dias depois da apreensão, o que seria indício de fraude.
  24. Material sigiloso e manipulação
    • Relatos sobre preservação de dados em celulares e notebooks, garantindo que autoridades não tivessem acesso, incluindo conversas de WhatsApp e arquivos volumosos.
    • Menciona que materiais chegaram posteriormente à análise, permitindo perícia, e critica a falta de cobertura midiática.
  25. Atos ilegais e extrapolação de funções
    • Acusa o ministro Alexandre de Moraes de usar o TSE para perseguir opositores políticos, ordenando certidões que influenciavam prisões ou liberações de cidadãos, sem base legal clara, e utilizando dados biométricos para identificar manifestantes.
  26. Pressão sobre servidores
    • Tagliaferro relata ameaças e coação sobre si e sua equipe, exigindo assinatura de documentos para proteger todos, mesmo fora da legalidade.
  27. Uso de parceiros externos
    • Menciona que algumas agências e universidades ajudavam a coletar informações, mas dentro de contratos formais, e que nunca houve uso de sistemas da Polícia Civil para fins políticos.
  28. Falecimento de Clesão e reação do TSE
    • Informa datas de falecimento e a falta de conhecimento ou contato sobre a reação interna ao caso.
  29. Participação da ABIM/Chui
    • Relata que José Fernando Moraes Chui se envolveu com pedidos de aproximação do TSE com a Polícia Federal, mas não teria conduzido ações diretas contra parlamentares ou jornalistas.
    • Alguns atos de levantamento de dados ou relatórios teriam função de segurança, não perseguição.
  30. Encaminhamento de provas
    • Tagliaferro sugere que todo o material que possui seja enviado à imprensa, ao Supremo e ao Senado, para interromper julgamentos que considera “contaminados” por fraude.
  31. Indícios de parcialidade de delegados e servidores
    • Afirma que certos delegados e assessores foram indicados por influência política, principalmente ligada a Alexandre de Moraes, e que não teriam isenção para cargos de relevância como o de corregedor geral da ABIN.
    • Sugere que esses servidores estariam inseridos em um “esquema” de influência política.
  32. Monitoramento direcionado
    • Gabinete de Alexandre de Moraes teria monitorado exclusivamente parlamentares, jornalistas e influenciadores ligados à direita, ignorando conteúdos de esquerda, com o objetivo de produzir relatórios que poderiam justificar ações judiciais e medidas de censura.
  33. Acesso a dados e relatórios internos
    • Tagliaferro afirma que a equipe não tinha controle sobre o uso posterior do material produzido e que os relatórios eram exclusivos para uso do gabinete de Moraes.
    • Ele nega ter recebido instruções para não registrar oficialmente ordens de levantamento de dados.
  34. Pressões e tentativas de silenciamento
    • Após deixar o TSE, Tagliaferro relata ter sofrido ameaças e pressões, inclusive com bloqueio de contas e derrubada de canais no YouTube usados para retransmitir a audiência, atribuindo essas ações a Alexandre de Moraes.
  35. Critério de desinformação pessoal
    • Confirma que não havia critérios formais para definir “desinformação” ou práticas ilegais; as decisões eram de cunho pessoal do Ministro e de seus auxiliares.
  36. Diálogo com autoridades externas
    • Tagliaferro descreve comunicações com assessores e advogados do PGR, esclarecendo que encaminhava documentos e pedidos de levantamento de dados solicitados pelo gabinete, mas nega que houvesse ordens para criar provas falsas.
  37. Violação de direitos humanos e devido processo legal
    • Denuncia que a atuação do gabinete desrespeitava o devido processo legal, usando o exemplo da revista Oeste e de influenciadores monitorados sem fundamento jurídico claro.
  38. Pedidos de proteção internacional
    • Tagliaferro solicitou proteção do governo italiano, onde atualmente reside, além de medidas de segurança para familiares no Brasil, diante das alegadas ameaças à sua família e à sua integridade.
  39. Ausência de encaminhamento às autoridades competentes
    • Questão central: se provas de supostas ilegalidades e crimes foram encaminhadas ao Ministério Público ou à Polícia Federal, sem resposta clara no trecho transcrito.
  40. Discussão sobre formalização de denúncia
    • Parlamentares questionam se houve denúncia formal ou apenas divulgação parcial de informações em posse de Eduardo Tagliaferro.
    • É apontado que tanto a Polícia Federal quanto a PGR estariam “contaminadas” e parcializadas, dificultando o processo.
    • Sugere-se que mesmo sem providências imediatas, é importante formalizar a denúncia para que futuramente alguém responda pelo que fez ou deixou de fazer.
  41. Críticas à atuação do STF e de Alexandre de Moraes
    • Eduardo Tagliaferro apresenta documentos e conversas de WhatsApp que supostamente demonstram perseguição política, forjamento de provas e abuso de poder por Alexandre de Moraes.
    • Parlamentares destacam que meios de comunicação teriam sido usados para incriminar pessoas inocentes.
    • Afirma-se que a atuação concentrada de investigação, acusação e julgamento em uma única figura representa afronta ao devido processo legal.
  42. Atuação do Congresso e propostas de CPI
    • Parlamentares ressaltam a importância de encaminhar o material à Procuradoria-Geral da República e registrar formalmente as denúncias.
    • Há pedidos para instalação de CPI de abuso de autoridade, com referência à necessidade de interromper práticas abusivas antes de votações como impeachment de Alexandre de Moraes.
    • Indica-se que futuras audiências (como a na subcomissão de combate à censura) continuarão a investigação e esclarecimento das denúncias apresentadas.
  43. Casos específicos e alegações de coerção
    • Menciona-se julgamento do pai do senador Flávio Bolsonaro, com críticas à utilização de delações sem provas e pressão sobre familiares.
    • Questiona-se se ex-assessores sofreram ameaças caso não colaborassem com declarações desejadas pelo STF ou pelo ministro Alexandre de Moraes.
    • O argumento central é que há uma diferença entre testemunhos sem evidências e evidências documentadas apresentadas por Tagliaferro, que teriam sido ignoradas pela Justiça.
  44. Entrada e atuação de Tagliaferro no TSE
    • Eduardo Tagliaferro entrou no Tribunal Superior Eleitoral sem conhecer previamente sua função, esperando lidar apenas com desinformação técnica.
    • Percebeu, logo na primeira semana, que o gabinete apresentava viés político, atuando exclusivamente contra pessoas de direita.
    • Observou práticas irregulares em processos envolvendo empresários, confirmando suspeitas de manipulação interna.
    • Atuou discretamente, mantendo registros e provas de irregularidades para futura exposição, conquistando confiança interna sem prejudicar terceiros.
  45. Perseguição política e viés do gabinete
    • Tagliaferro afirmou que nunca houve censura ou perseguição contra figuras da esquerda; todos os alvos eram de direita.
    • O gabinete de enfrentamento à desinformação funcionava como instrumento de perseguição política, sob direcionamento do ministro Alexandre de Moraes.
    • As ações incluíam difamação e prejuízo a políticos, influenciadores e empresários alinhados à direita.
    • Alexandre de Moraes teria interesse em prejudicar a oposição, possivelmente visando futuros objetivos políticos pessoais.
  46. Bloqueio de contas e medidas fora da lei
    • Tagliaferro confirmou bloqueios processuais, como o da filha de Osvaldo Eustáquio (16 anos), autorizados pelo gabinete de Moraes via PJE/TSE.
    • Destacou que tais medidas afetavam atividades básicas da população e exemplificavam abuso de poder direcionado à direita.
    • O material enviado aos órgãos internacionais continha provas de irregularidades e foi utilizado para relatórios de denúncia.
  47. Ameaças, riscos e exposição
    • Não sofreu ameaças diretas de integrantes do tribunal, mas houve ameaças veladas e exposição de dados pessoais e familiares em processos públicos.
    • Recebeu ataques via perfis falsos de militantes de esquerda nas redes sociais, com mensagens de ódio e ameaças de morte, sem possibilidade de identificação de autores específicos.
  48. Encaminhamentos da comissão
    • Relatórios das denúncias foram enviados a órgãos nacionais: STF, TSE, CNJ, CNMP e OAB.
    • Encaminhamentos também alcançaram órgãos internacionais, incluindo Itália, Argentina, Paraguai, Espanha, Polônia, OEA e Parlamento Europeu.
    • Foi solicitado a suspensão de julgamentos de réus do 8 de janeiro e reforçada a proteção de Tagliaferro e família, reconhecendo sua condição de exilado político.
  49. Interações, questionamentos e contexto eleitoral
    • Senadores e deputados questionaram a possível interferência de observadores internacionais nas eleições de 2022.
    • Tagliaferro afirmou não ter conhecimento de atuação da USAID ou dos EUA, apenas da presença de observadores da OEA.
    • Debates abordaram os impactos de 30 anos de influência da esquerda em instituições e profissões liberais, destacando riscos para a democracia.
  50. Dimensão simbólica, religiosa e motivacional
    • Senadores elogiaram a coragem de Tagliaferro, conectando sua postura a missão e propósito divinos.
    • Houve incentivo à mobilização popular em datas estratégicas (como 7 de setembro), reforçando apoio a Bolsonaro e a defesa de valores conservadores, éticos e familiares.
    • O depoimento foi interpretado como um ato simbólico de resistência à perseguição política, comparando Tagliaferro a figuras bíblicas de missão e espionagem.
  51. Divulgação e alcance da sessão
    • O depoimento foi transmitido em plataformas de streaming e redes sociais, ampliando alcance das denúncias.
    • Destacou-se o papel da assessoria na coleta e organização de informações, garantindo formalidade e legalidade na exposição dos dados.
    • Tagliaferro expressou total disponibilidade para colaborar com futuras comissões ou apurações legais.
  52. Impactos e reconhecimento
    • A sessão reforçou a narrativa de que Tagliaferro entrou para a história do Brasil, expondo práticas ilegais e perseguição política no tribunal.
    • Senadores destacaram o caráter histórico e simbólico do depoimento, reconhecendo sua coragem e desprendimento pessoal.
    • Foram reafirmadas recomendações de proteção a exilados políticos e necessidade de divulgação das denúncias para a população nacional e internacional.

Deixe um comentário

Site criado com WordPress.com.

Acima ↑