O ESPIRITISMO NÃO É PROGRESSISTA

O maior equívoco que um espírita pode incorrer é cair na cilada de concluir que o espiritismo tem semelhança ou qualquer paralelo com a ideologia moderna progressista: uma moral relativista revolucionária, de origem na filosofia social do comunismo utópico clássico, moldada num humanismo empregado como ferramenta de retórica para promoção pessoal e tomada de poder.

O humanismo espírita é verdadeiro. O progressista, falacioso.

O humanismo que o espiritismo, codificado por Kardec, nos ensina nasce do espírito em evolução; é movido por amor, compaixão e consciência desperta. Atua de dentro para fora: reforma íntima, caridade sincera, responsabilidade pessoal.

Entretanto, o humanismo que os progressistas adotaram — e tanto pregam — é imposto de fora para dentro, por meio de leis, cotas, doutrinação escolar e coerção estatal. Não é natural do coração do espírito, de acordo com seu nível evolucionário atual neste planeta de expiação e provas. Visa substituir virtudes pessoais por exigências coletivistas e ressentimento institucionalizado e identitário, que transforma o Bem em ódio do bem. Usa a clássica retórica falaciosa comunista da “consciência de classe” para separar e alterar a moral; em nome da “inclusão”, promove guerra simbólica e destrói valores universais — um humanismo hipócrita.

Ademais, o progressismo é falho porque quer impor igualdade, fraternidade, caridade e humanismo sem verdadeiramente transformar o coração. Enquanto houver predomínio da vaidade, do egoísmo, da inveja e do ódio, nenhum sistema forçado funcionará — muito menos um cujo léxico representativo tem a arrogância de se autoclassificar como o único representante do progresso, do devir, do avançar, do progredir de toda a sociedade humana. O humanismo do progressismo é arrogante — e não tem nada de progressista, pois não avança: só destrói.

O progressista se autoconsidera um Escolhido, o herói épico destinado a trazer a justiça social e a igualdade para toda a humanidade, por meio apenas do discurso “humanista”. Entende que o ser humano é individualista e egoísta, e que não alcança a caridade sem que se oriente, socialize, distribua, determine, exija e iguale tudo por meio de um conceito abstrato chamado Estado — controlado, claro, por uma elite social autoproclamada hegemônica.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, pergunta 793: “Qual o meio de destruir o egoísmo?” — Resposta: “O desenvolvimento moral.” Ou seja, não se trata de reeducação coletiva forçada.

O progressismo tenta impor a fraternidade, a igualdade e a caridade de forma autoritária. Uma ditadura ideológica. Entretanto, não se combate uma tirania com outra tirania. O caminho é iluminar consciências — não impor narrativas que forçam um comportamento relativista que degrada a moral. Quando o certo e o errado viram opinião, a sociedade adoece. As Leis Divinas não são flexíveis.

A doutrina espírita é individualista no sentido ético, não ideológico: o progresso é pessoal, jamais delegado a um partido ou ao Estado.
“Fora da caridade não há salvação” implica esforço real, não slogans sociais.
A liberdade espiritual é inegociável — e nenhuma “engenharia social” pode substituí-la.
Sem Deus, o humanismo é uma árvore sem raízes.
A verdadeira fraternidade nasce da espiritualidade — não do progressismo ideológico revolucionário da consciência de classe identitária.

O humanismo do espiritismo é moral-cristão, centrado na transformação íntima e no “trabalho no bem” — não em leis estatais ou engenharia social.
A caridade é espontânea, pessoal e educativa para o espírito — não um dever do Estado.
O progresso moral não pode ser imposto por decretos ou leis, mas nasce da consciência desperta.
A verdadeira caridade não se exibe, não se obriga, não se legisla.

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