POR QUE O ÓDIO À “MERITOCRACIA”?

Contra a falácia progressista: mérito é a única base justa de conquista


Vivemos tempos em que o óbvio precisa ser defendido com vigor. A noção de que o mérito individual — baseado em esforço, virtude, talento e, principalmente, responsabilidade pessoal — como critério legítimo de conquistas sociais vem sendo atacada por uma ideologia socialista antiquada e comprovadamente falaciosa que, sob o pretexto de “justiça social”, defende a substituição da excelência pelo igualitarismo forçado, da responsabilidade pela vitimização e do merecimento pela política.


Essa ideologia é movida por ressentimento travestido de compaixão. E se ancora filosoficamente em autores como Michel Foucault, que enxergam em todo critério de avaliação uma “estrutura de poder opressora”. Para o foucaultiano moderno, dizer que alguém venceu por mérito é ofensa. É “reprodução de privilégios”. É violência simbólica.


A falácia da anti-meritocracia: igualar por baixo


A crítica progressista ao mérito parte de uma mentira embutida em dois silogismos morais:


• Premissa 1: O mérito é uma construção da elite para manter o status quo.
• Premissa 2: A sociedade é desigual, logo injusta.
Conclusão: Devemos redistribuir tudo para que todos “tenham acesso igual” ao sucesso — ainda que sem esforço.


O resultado? Um sistema que premia a queixa, protege o fracasso e transforma o Estado em muleta existencial. O mérito, nesse cenário, é substituído pelo pertencimento identitário da falsa consciência de classe, pela militância ou pela simples condição de “vítima estrutural”.


Scruton versus Foucault: mérito como reconhecimento da virtude


Roger Scruton ensina que a verdadeira justiça não está em nivelar resultados, mas em reconhecer conquistas legítimas. A hierarquia é o reflexo natural da excelência — e rejeitá-la é negar o valor do esforço e da moralidade pessoal. Dizia: “As hierarquias não são sempre injustas. Elas refletem frequentemente o reconhecimento público de mérito, caráter e competência.” (Scruton, “Fools, Frauds and Firebrands”)


A ideologia anti-meritocrática não busca justiça — busca poder, por meio da destruição de critérios objetivos. O discurso de “inclusão” esconde uma cruzada contra a liberdade real, que só pode florescer quando há responsabilidade individual.


Scruton rebate concretamente a falácia criada por Foucault de que o saber é poder e que toda hierarquia de valor (inclusive de mérito) é um artifício de dominação, ao denunciar que esse delírio foucaultiano é somente a destruição da possibilidade de distinção entre o justo e o injusto, entre o válido e o inválido, entre o mérito real e o privilégio falso: um relativismo total moral  disfarçado de crítica sicial radical.


Scruton nos alerta que a paranoia foucaultiana de que um sistema de avaliação é simplesmente um instrumento de opressão acaba por destruir não apenas o mérito, mas também o valor do esforço, da excelência, da autodisciplina e da busca pessoal por virtude. Se todo critério de mérito é apenas um “dispositivo de poder”, então nada é merecido.

Essa ideia é profundamente corrosiva, pois nega ao indivíduo a dignidade de ser responsável por suas escolhas e conquistas.

A Meritocracia – apesar do neologismo progressista mal conceituado – deve ter como referente na vida real apenas a ideia de que os indivíduos podem e devem, por seu esforço, desenvolver-se e ser reconhecidos, criando uma hierarquia legítima e realista baseada em talento, virtude e esforço.


Para Scruton, mina-se os fundamentos morais da civilização ocidental quando o fracasso é atribuído à sociedade e a sua suposta maléfica burocracia de poder, nunca ao indivíduo. Dizia: “As hierarquias não são sempre injustas: elas são muitas vezes o resultado natural do reconhecimento do mérito e da excelência. Rejeitá-las é rejeitar a própria ideia de virtude.”


Scruton, assim, entende o mérito como um critério moralmente legítimo, pois decorre do reconhecimento social de qualidades reais: trabalho, talento, virtude. Numa sociedade livre, as conquistas não devem ser niveladas à força, mas reconhecidas segundo critérios públicos e imparciais.
A liberdade gera desigualdade, mas essa não é uma falha nem injusta: é a expressão da diferença entre pessoas, talentos e escolhas.


A lei moral do mérito


Contrariando o igualitarismo materialista, o mérito é lei moral do universo, sendo a desigualdade das aptidões uma consequência da diversidade dos méritos. A evolução social, moral, material, econômica, profissional de cada um, não se impõe por políticas de Estado anti-meritocratas: se conquista. O progresso do Espírito se dá pelo esforço, pela reforma íntima, pelo trabalho no bem. Não há salvação coletiva, nem ascensão moral por decreto. Quem quer colher, precisa plantar. O que se conquista sem mérito, atrofia a alma.


O custo da destruição do mérito


Quando uma sociedade renuncia à meritocracia, ou seja, ao processo social e cultural de recompensa e reconhecimento proporcional às conquistas e aos resultados decorrentes exclusivamente do esforço pessoal legítimo:


• Premia a mediocridade.
• Desestimula o esforço.
• Desvaloriza o talento.
• Transforma o Estado em deus.
• Produz ressentidos em série.
• Substitui a ética pessoal pela ideologia coletiva.


Em vez de se incentivar o esforço contínuo e edificante para as conquistas pessoais, para os que estão em posições relativamente inferiores usem os exemplos dos que estão em outras posições, rebaixa todos a um mesmo pântano de dependência e vitimização.

Conclusão: mérito é justiça, não privilégio


Meritocracia não é um sistema perfeito — mas é o único que respeita a liberdade individual, reconhece o esforço, valoriza a excelência e permite o florescimento das virtudes morais.


A alternativa a ela não é justiça — é nivelamento forçado, miséria moral e tirania burocrática.

Defender o mérito é, hoje, um ato revolucionário contra uma cultura que glorifica o fracasso e odeia o merecimento.

Onde o mérito é punido, a liberdade definha.


A verdadeira (re)evolução é meritória — e o Espírito sabe disso.

Deixe um comentário

Site criado com WordPress.com.

Acima ↑