Eu sou de Esquerda

Eu sou, com muito orgulho, um sujeito de esquerda, pois sou uma pessoa boa, com caráter. Não sou misógino, racista, homofóbico, elitista nem machista. Sou uma pessoa que tem pena dos pobres e dos oprimidos e, por isso, eu sempre apoio as políticas de inclusão social assistencialistas e identitárias dos políticos de esquerda. Assim, fico bem na fita nas redes sociais e no meu grupo de pares de convivência social, porque não quero passar vergonha com eles. Sinto-me um ser escolhido, por uma divindade qualquer, na verdade, eu mesmo, um verdadeiro herói épico para lutar, apenas pelas redes sociais, claro, por justiça e igualdade social para toda a humanidade.

Com essa ideia em mente, junto com os artistas famosos e os políticos de esquerda, que se dizem os únicos preocupados com os pobres, pessoas do bem e inteligentes que muito admiro, sigo e ouço, apropriei-me, descaradamente, sem que ninguém me autorizasse, da retórica humanista, aquela da defesa dos direitos humanos e das ditas minorias oprimidas da sociedade, pois essa fala é bonita e, certamente, inegável e indiscutível em si mesma. Uso tanto essa demagogia que acho que hoje já sou o próprio discurso humanista. Sinto-me, então, da mesma forma que o meu grande, amado e honesto líder socialista populista nacional, que ao ser preso – sem provas claras, pois corrupção passiva para mim deveria ter provas escritas – disse que já não era mais um homem, mas uma ideia. Assim, eu sou uma ideia de bondade, fraternidade e amor ao próximo, não uma simples pessoa, Eu sou de esquerda.

Eu estou do lado do bem; desta forma, quem não está comigo está do lado do mal. Sou radicalmente dicotômico. Quem discordar de mim e das minhas ideias humanistas, eu intimido na hora com muita violência: “Por quê? Você não concorda comigo de que no Brasil a desigualdade social mata milhares de pessoas de fome?”

Onde já se viu alguém discordar do que eu digo? Gado, claro, gente ignorante, retrógrada, racista, fascista, conservadora, reacionária, preconceituosa, machista. Esse tipo é opressor e intolerante, pois não aceita o meu discurso humanista de igualdade social. Temos que ser mesmo radicalmente intolerantes com os intolerantes de direita, pois a violência do oprimido é puro amor.

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