O Segunda Chamada e Antonio Tabet – A geração dos “nós”, dos donos da retórica e do deboche inteligente e irreverente

ESTE VÍDEO AINDA É IMPORTANTÍSSIMO PARA ENTENDERMOS A VERDADE SOBRE A SITUAÇÃO SOCIOPOLÍTICA ATUAL DO BRASIL QUE PARECE SEPARAR O POVO BRASILEIRO EM DOIS GRANDES GRUPOS: UM CHAMADO DE DIREITA E O OUTRO DE ESQUERDA.

Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ucFNGhgbVNk

Trata-se de um debate em um programa de entrevistas, o Segunda Chamada de 26/11/2018, com Antonio Tabet e Mara Luquet e os convidados Fernando Gabeira, Ilona Szabo e Diego Escosteguy, onde se pretendia discutir quem seria Olavo de Carvalho e qual seria a sua verdadeira influência no povo conservador brasileiro.

Assim, de início havia uma tese na mente dos participantes do programa  de que um novo fenômeno ocorria na sociedade brasileira, no qual Olavo de Carvalho seria protagonista.

Logo de início, uma participante menciona a existência de um suposto fenômeno chamado “bolsonarismo” e que “nós” não percebemos que este estava, segundo ela, sendo construído.

Nesse momento, surge uma situação clara e interessante que se mantém durante todo o debate, e que se torna evidente com a intervenção final do ex-deputado Fernando Gabeira, como destacaremos. Quem são esses “nós”?

De maneira extremamente prepotente e arrogante, os participantes parecem entender que compõem e representam todo o povo brasileiro. Falam como se fossem os donos da sociedade civil ou os únicos representantes dela, dando a entender que o mundo é unicamente o que eles veem e pensam.

Entendem, ou melhor, deliram que, por exemplo, foi montada uma máquina de comunicação nova. Em outras palavras, defendem a tese da “Tiazinha do WhatsApp” como uma ameaça à democracia. Acreditam que o pensamento de direita se resume a discussões de “memes”, sem capacidade de debater temas sociais de forma elevada e acadêmica. Consideram que não existem pensadores de direita verdadeiros e afirmam que a guerra cultural teve início com pessoas como Olavo e Steve Bannon, como se esses nomes, enquanto influenciadores perversos, estivessem criando um movimento radical contra algo.

Durante os cinco primeiros minutos do “debate”, Gabeira, debaixo de sua cabeleira bem grisalha de sabedoria, permanece calado deixando educadamente que os outros participantes, bem mais jovens e com ar de donos da verdade, introduzissem suas opiniões, mantendo uma fisionomia que parecia dizer: “coitados eles não sabem o que dizem”.

Gabeira é ex-guerrilheiro do MR-8, tendo participado do maior atentado da década de 70, que foi o sequestro do Embaixador Norte-americano Charles Elbrick. Acabou sendo baleado ao resistir à prisão (Veja o Filme O que é isso, Companheiro?). Posteriormente, foi candidato à Presidente da República pelo Partido Verde. Além disso, foi à praia de Ipanema, depois da Anistia, de tanga de crochê, o que chocou a todos. Hoje, continua sendo um cidadão de esquerda, mas não se importa em dizer que foi um erro ser terrorista e depois ser candidato, sendo honesto em declarar que ainda segue procurando seus caminhos como qualquer ser humano. Pessoa que admiro pela sua sabedoria, experiência, coragem e honestidade, mas que, paradoxalmente, jovens de esquerda não conseguem entender e nem admirar verdadeiramente.

A primeira intervenção de Gabeira vem quando o ancora pergunta a ele se conhece Olavo de Carvalho, teoricamente o tema do programa. Gabeira responde que o conhece pouco, mas que já leu um livro do polêmico filósofo e que acompanha algumas manifestações dele pelas redes sociais.

Creio que até hoje os demais jovens participantes, com seus narizes empinados elevados devido a uma pseudossabedoria da verdade, não entenderam que, sutilmente e educadamente, Gabeira naquele momento tenta ensinar-lhes que não podem discutir sobre um tema ou sobre uma pessoa sem conhecê-la minimamente. Nenhum dos demais observou ter feito o mesmo. Isso é típico das discussões dos jovens de esquerda da geração com menos de 40 anos, que se dizem críticos de tudo sem saber sobre nada, sendo “especialistas” em todos os assuntos imagináveis.

Em seguida, também de forma muito serena e sabia, Gabeira informa que possui um ângulo diferente para a questão, mostrando claramente que os demais não tinham mesmo ideia do que debatiam. Diz que “nós” não teríamos “descuidado” do Olavo, ao não ver a sua suposta ascensão de influência na sociedade brasileira, mas que “nós” teríamos, na verdade, descuidado do homem comum, com suas perspectivas e ansiedades.

Muito correta a observação, mas daí surgi uma reflexão: Quem são os “nós” e quem são os “homens comuns” dos quais Gabeira começa a falar tentando sair do tema Olavo de Carvalho?

Gabeira segue observando que “nós” mergulhamos nas “nossas” conversas, com “nossos” termos próprios e nas “nossas” possibilidades e que “ficamos” distantes desse mundo (do homem comum). Conclui que o susto verdadeiro seria que “nós” não percebemos que a maioria da população não pensa como “nós”, não aceita as “nossas” propostas e, ao contrário, tem uma visão muito crítica sobre “nós”, e que Olavo seria um fenômeno secundário.

Quanta clareza da situação. Ainda bem que Gabeira estava presente.

O ancora, então, complementa com uma pérola, afirmando que “todo mundo” se surpreendeu de um jeito estranho quando “descobrimos” que o Brasil seria um País conservador.

Mas, afinal quem é “todo mundo”?

Gabeira faz, então, mais uma intervenção devastadora e realística, dizendo que ele sempre trabalhou com as minorias brasileiras em temas dramáticos para os conservadores. Ressalta que conviveu muito bem e cordialmente com Bolsonaro na Câmara por 16 anos. E conclui destacando que entende bem a visão conservadora, pois o Brasil real é conservador e não aquele (País) que “nós” discutimos num bar da zona sul de Ipanema, num botequim.

Sensacional!

Por fim, Gabeira faz uma observação interessante sobre o tema da ideologia de gênero. Ele entende que a visão conservadora é de que a educação sexual é um problema da família e, caso não se discuta com ela, estaria-se passando por cima da família nesse tema. Isso indica claramente que um dos grandes erros dos governos de esquerda teria sido nunca ter discutido com os conservadores os temas polêmicos, chegando ao cerne da questão de forma sutil.

O que podemos concluir?

Há uma geração de brasileiros, em média com menos de 40 anos, que foi educada após a CF/88, com base em uma agenda dita progressista da elite oligárquica patrimonialista da esquerda (caviar) brasileira, que tomou o poder da sociedade civil após o Regime Militar. Essa geração não reconhece, então, que há um mundo conservador no Brasil, pois, como adolescentes e jovens adultos, cresceram num País do PSDB e do PT, presumindo que o Brasil se resume apenas àquilo que vivenciaram até o momento. O “nós” mencionado pelos participantes do debate no vídeo em análise.

Sobre a nova elite oligárquica patrimonialista de esquerda (caviar) brasileira, é bom abrir um parêntese e esclarecer do que se trata.

Ela é formada por professores da área de humanas das faculdades federais, que doutrinam os jovens de forma covarde, incluindo os fracos, incompetentes e usuários de maconha. Também é composta por jornalistas não isentos, militantes de redação, que sem pudor ou vergonha publicam, nos meios de comunicação da grande mídia, pertencentes às famílias ricas e poderosas da oligarquia patrimonialista brasileira, tudo o que for necessário para apoiar a agenda progressista da esquerda. Há ainda os artistas famosos, sem sombra de dúvida, favorecidos pela Lei Rouanet; os juízes indicados pela esquerda para cargos nos tribunais superiores, sem considerar o mérito de suas carreiras; e os funcionários públicos que se beneficiam de um Estado inchado, repleto de autarquias e estatais, para usufruir de cargos comissionados. Todos esses integrantes da corte do patrimonialismo petista ganham, com certeza, no mínimo, mais de 10 mil reais por mês, vivem em residências de luxo nas grandes cidades, dirigem carros de qualidade e viajam para a Europa nas férias (por isso são chamados de esquerda caviar). Na área econômica, essa nova elite, como a lava jato revelou, é composta pelas 12 empreiteiras do mecanismo; a JBL. Uma minoria de empresários altamente corruptos selecionados a dedo pelas lideranças políticas patrimonialistas da esquerda, que formam as oligarquias econômicas responsáveis por controlar e centralizar a economia sob uma perspectiva de esquerda, enquanto os demais serão falidos e terão seus bens confiscados em nome do povo. Por fim, na política, a nova elite ‘caviar’ da oligarquia partidocrática patrimonialista socialista brasileira é formada por políticos hipócritas de classe média alta dos Jardins de São Paulo, que se autoproclamam como os únicos que verdadeiramente se preocupam com o povo, autênticos ‘Madres Teresas’ e ‘Gandhis’, quase seres divinos.

Essa geração pós CF/88, então, foi doutrinada do ensino fundamental à universidade para entender o mundo com uma visão revolucionária de esquerda, seja ela radical ou não, consciente ou não. Foi estimulada a se achar dona da sociedade, acima da família, dos costumes e da cultura popular. Foi incentivada a criticar mesmo assuntos que não compreende, que não estudou, mas sua prepotência permite erguer o nariz, assumir uma expressão séria, sentar-se e cruzar as pernas elegantemente para discutir como se fosse especialista em qualquer tema. Basta observar a postura de todos os participantes do debate, à exceção de Gabeira, que sequer leram algum livro de Olavo de Carvalho para poder discutir adequadamente na televisão sobre ele e sua possível influência social. Ainda bem que Gabeira estava lá. Coitado, tentou expandir o horizonte de consciência dos pobres jovens petulantes para a realidade nacional, mas creio que a poderosa ignorância deles o tenha impedido. Maldito Paulo Freire e seu método de alfabetização construtivista.

Desta forma, a esquerda é formada por uma geração que se acha, de forma prepotente e arrogante, dona do País, que pensa que sabe o que é melhor para a sociedade, que os conservadores não existem mais, que a estrutura familiar não existe mais e que só há a visão de mundo deles, sua bolha, com seus termos próprios e os temas da agenda progressista.

Mas, enquanto houver pessoas, não somente conservadoras em teoria, mas conscientes do mundo real e o voto ainda valer nesta suposta Democracia (o que agora não parece mais), EU serei o tema desse debate e não o Olavo. Olavo não criou a sociedade conservadora, só mostrou que ela existe e que ainda é a maioria da população. Ele apenas ajudou a acordar o homem comum, a partir das manifestações de 2013 e para o impeachment do Presidente Dilma em 2016. Homem comum que ficou passivo politicamente em espiral de silêncio desde a CF/88 achando que nada de ruim iria acontecer deixando no poder os novos governantes progressistas.

Agora, ou os arrogantes jovens progressistas entendem isso e descem do pedestal da prepotência, compreendendo que eles não mandam na sociedade, pelo menos ainda, ou vamos seguir nessa rixa social e política com ânimos cada vez mais acirrados, cujo desfecho pode levar a consequências impensáveis até há pouco tempo.

O verdadeiro povo brasileiro, trabalhador e pai de família, não permitirá que tomem conta do seu lar tão facilmente. Esse é o verdadeiro novo fenômeno dos resultados das urnas de outubro de 2018, não Olavo.

https://www.youtube.com/watch?v=ucFNGhgbVNk

Deixe um comentário

Site criado com WordPress.com.

Acima ↑