Quando um jovem idiota útil de esquerda me pergunta de forma retórica e irônica sobre o que é o comunismo, ele, com sua prepotência juvenil natural, está raciocinando inadequadamente, limitando o conceito à definição que ele leu em seu livro de História do Ensino Médio, utilizado por seu professor de História freireano, adulterado devido à mudança curricular revolucionária gramsciana promovida pela elite progressista brasileira nos pós-Constituição de 1988.
Porém, um conceito econômico-social tão complexo e amplo como esse jamais pode ser compreendido apenas por definições acadêmicas fraudulentas.
Obviamente, seu pensamento imaturo baseia-se nas definições e nas explicações clássicas do Marxismo, principalmente no Manifesto Comunista de Karl Marx. No entanto, se partirmos desse texto clássico e avançarmos até a era da ‘New Left’, levando em consideração as mudanças de direção nas definições e nos conceitos filosóficos iniciais, especialmente pelas contribuições da Escola de Frankfurt (recomendo a leitura do livro ‘A Dialética do Esclarecimento’) e de Antonio Gramsci, podemos facilmente obter uma visão clara do conceito e de como ele deve ser observado e considerado nos dias atuais. E isso é simples.
Classicamente, a transformação do mundo de uma sociedade capitalista para uma comunista seria um processo que ocorreria em duas etapas, seguindo uma sequência lógica. A primeira etapa consistiria na desconstrução da sociedade burguesa capitalista, aquela baseada na ética protestante e no espírito do capitalismo. Isso seria alcançado por meio da tomada de poder através de uma revolução liderada pela classe proletária, a qual, segundo a divindade marxista, seria a única capaz de promover essa transformação. Essa revolução seria instrumentada pelas armas e se daria dentro da dialética do materialismo histórico de Karl Marx.
A segunda etapa seria a construção de uma sociedade igualitária, na qual não haveria patrões, acumulação de capital, busca pelo lucro ou ganância. Seria um período de paz, amor e completa liberdade, em que as pessoas trabalhariam produzindo conforme suas capacidades e desejos, consumindo apenas o necessário.
Com as diversas experiências de implementação do comunismo ao longo do Século XX, denominadas de ‘socialismo real’, seus adeptos e líderes observaram duas coisas. Primeiro, perceberam que jamais conseguiriam avançar para a fase de construção da nova sociedade comunista utópica e igualitária, a segunda etapa do processo comunista, após a revolução e a destruição da sociedade burguesa que tanto odiavam. Mesmo a experiência revolucionária considerada bem-sucedida passou décadas tentando construir essa sociedade, mas acabou vendo seu muro ruir em 1989. Segundo, entenderam que o agente da revolução nunca seria a classe proletária, inicialmente escolhida pelo deus Marx como a responsável pela regeneração social da humanidade.
Lenin, já em 1917, percebeu que, para que sua revolução comunista ocorresse, ele não poderia esperar pelo momento em que a dialética marxista indicaria naturalmente a revolta do proletariado. Isso porque a classe escolhida não desejava a revolução para destruir a burguesia, mas, na verdade, almejava tornar-se a própria burguesia, ser patrões, obter lucro e levar uma vida confortável. Lula, que certamente não estudou profundamente a história e a evolução da ideologia que finge abraçar para seus companheiros, acabou percebendo o mesmo. Isso ocorreu depois que as montadoras do ABC melhoraram os salários e as condições dos metalúrgicos. As greves, que serviram apenas para capitalizar politicamente sua imagem, deixaram de fazer sentido, tanto que acabaram, e os trabalhadores das fábricas ficaram satisfeitos com sua condição de classe média burguesa.
Não fazia mais sentido, então, utilizar o proletariado como agente da revolução. Da mesma forma, não valia mais a pena tentar definir e explicar como seria uma nova sociedade comunista igualitária utópica, caracterizada por uma liberdade social total e não burguesa. Nem Marx, em seus escritos delirantes, foi capaz de fazê-lo, e as revoluções consideradas vitoriosas não conseguiram demonstrar, na prática, qualquer sinal de sua viabilidade.
Desta forma, hoje o Comunismo tem como único objetivo a destruição da sociedade ocidental atual, baseada na civilização judaico-cristã, e a tomada do poder em todas as esferas: sociais, econômicas, acadêmicas, jurídicas, culturais e políticas. Para isso, o Comunismo adotou uma filosofia de ação conhecida como Mentalidade Revolucionária, que é extremamente diabólica e quase invencível.
A Mentalidade Revolucionária estabelece que o comunista tem permissão e até o dever de atuar da maneira que seja necessária em prol da revolução, visando a tomada de poder e a destruição da civilização ocidental atual, sem se importar com a ética e a moral vigentes na sociedade, pois são justamente esses princípios que se deseja destruir. Os fins sempre justificam os meios. Nesse sentido, o comunista sente orgulho de mentir, omitir, inventar, difamar, cancelar, violentar, odiar, matar, esfaquear, corromper, manipular opiniões públicas e mudar de ideias, posicionamentos, aliados e inimigos, tudo de acordo com as exigências do momento histórico e da conjuntura política. Essas ações são moralmente aceitas dentro da Mentalidade Revolucionária, que é um estado de espírito no qual um indivíduo ou grupo se sente capacitado pela divindade comunista a remodelar a sociedade como um todo e a natureza humana em geral, através da ação política, acreditando estar acima de qualquer julgamento por parte da humanidade presente ou futura.
Enfim, através da Mentalidade Revolucionária adotada pelos comunistas, conscientemente por líderes, vanguardas e militantes, e inconscientemente pelos inocentes úteis, qualquer ato, comportamento, opinião, posição ou ideia é permitido e moralmente aceito se estiver em função da “causa” revolucionária. Essa é a origem do atualmente apelidado “ódio do bem”, que justifica o desejo pela morte do primeiro presidente brasileiro conservador eleito democraticamente desde a CF/88, enquanto, contraditoriamente, apresentam-se nas redes sociais com um perfil pregando paz e amor, comovendo-se com os pobres, oprimidos e animais abandonados nas ruas. Criam assim um delírio coletivo esquizofrênico baseado em um sentimentalismo fraudulento irresistível, repleto de enorme hipocrisia, nunca visto anteriormente na história da humanidade.
Com essa práxis, restava apenas substituir o proletariado como protagonista da revolução de destruição da sociedade judaico-cristã por novos agentes que conduziriam a luta de classes necessária. Esses agentes foram encontrados nas supostas minorias oprimidas pela sociedade burguesa que deveria ser destruída, incluindo os pobres, indígenas, negros, mulheres, marginais e homossexuais. Esses grupos são recrutados, em sua maioria, em comunidades pobres, no campo e nas universidades do Ocidente, já completamente dominadas por comunistas, e são usados como idiotas úteis para travar a luta de classes contra a sociedade conservadora e liberal, baseada na família e na fé cristã. Essa sociedade é alvo de desprezo, silenciamento, ódio e culpada por todos os males pessoais e coletivos que possam existir.
Cabe observar que, quando se fala do Comunismo atualmente, não se mencionam mais as ideias econômicas clássicas relacionadas a ele, nem as do Marxismo, que já foram comprovadas como impraticáveis e ineficazes tanto na teoria, na década de 30, por Mises, quanto na prática, com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a abertura da China Comunista para a economia de mercado. Também não se levem mais em consideração outras tentativas de mudança de rumo e novas teorias econômicas que possam ter sido produzidas ao longo do tempo, como os modelos econômicos dos Estados de Bem-Estar Social.
Para resumir, o Comunismo transformou-se no Século XXI em uma filosofia de vida cujo objetivo é a deterioração da sociedade conservadora e liberal judaico-cristã. Lideranças políticas, econômicas, jurídicas, acadêmicas, culturais e sociais almejam, a qualquer custo e utilizando-se da Mentalidade Revolucionária, assumir o poder e formar poderosas e hegemônicas oligarquias partidocratas e patrimonialistas, valendo-se das minorias supostamente oprimidas como agentes da luta de classes e da práxis revolucionária. Tudo isso é feito segundo uma agenda política e social autoproclamada, prepotente e estratégica, denominada “progressista” com seu “politicamente correto” intolerante e autoritário. Atualmente, não é mais necessário prometer a construção de uma sociedade igualitária com características comunistas, nem buscar uma economia centralizada e totalmente estatizada fora do capitalismo. Essa elite oligárquica comunista, já conhecida como “esquerda caviar”, não abandonará o sistema capitalista e utilizará as ferramentas democráticas existentes, como o voto popular com contagem eletrônica secreta, que ilusoriamente parece ser democrático. Além disso, essa elite se disfarça com diversos nomes modernos, tais como: esquerda, progressista, social-democracia, estado de bem-estar social, democracia liberal, democracia social, democracia participativa, democracia deliberativa, democracia comunicativa, socialista, centro-esquerda, direita isentões, bolivarianista, globalista, masista, peronista, petista, entre outros.
Isso sempre será, então, puro COMUNISMO.
ALGUMAS REFERÊNCIAS PARA AMPLIAR O HORIZONTE DE CONSCIÊNCIA E ENTENDER UM POUCO DO TEXTO ANTERIOR:
- Discurso Preliminar sobre o Espírito Positivo, Auguste Comte
- O Livro da Filosofia
- Discurso do Método, René Descartes
- O Príncipe, Maquiavel
- Crítica da Razão Pura, Immanuel Kant
- Hegel & a Fenomenologia do Espírito, Paulo Meneses
- Introdução à Filosofia de Hegel, Karl Marx
- Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, Karl Marx
- Teses sobre Feuerbach, Karl Marx
- Auguste Véra, Luís Alberto Cabral
- O Homem Cordial, Sergio Buarque de Holanda
- Consciência de Classe, George Lukacs
- Sofista, Sócrates
- Filosofia Da História, Hegel
- A Essência Do Cristianismo, Ludwig Feuerbach
- Desobediência Civil, Henri Troureau
- Antonio Gramsci, Attilio Monasta e Fernando Haddad
- Karl Marx: Breve Esboço Biográfico Seguido de uma Exposição do Marxismo, Lenin
- Manifesto Comunista, Marx
- O CAPITAL Mercadoria, Valor e Mais Valia, Marx
- O cálculo econômico racional é impossível sob o socialismo, Mises
- 10 Lições sobre Horkheimer, Ari Fernando Mais
- Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimen
- Dialética Negativa, Adorno
- O Homem Unidimencional, Marcuse
- Eros e Civilização, Marcuse
- A Violência Revolucionária em Hannah Arendt e Herbert Marcuse – Raízes e Polarizações, Maria Ribeiro do Valle
- Pensadores da Nova Esquerda, Roger Scruton
- Vigiar e Punir, Michel Foucaut
- O Existencialismo É Um Humanismo, Sartre
- Regras Para Radicais: Um Guia Pragmático Para Radicais Realistas, Saul Alinsky
- A Pedagogia Do Oprimido, Paulo Freire
- A Pedagogia Da Autonomia, Paulo Freire
- Maquiavel Pedagogo, Pascal Bernardin
- Desconstruindo Paulo Freire, Thomas Giulliano
- Confissões de um Cético Francófilo, Roger Scruton
- Tolos, Fraudes E Militantes Pensadores da Nova Esquerda, Roger Scruton
- Pandemia: Covid-19 e a Reinvenção Do Comunismo (Pandemia Capital), Slavoj Žižek
- Como Ser Um Conservador, Roger Scruton
- Lavagem Cerebral, Ben Sapiro
- A Grande Mentira: Expondo As Raízes Nazistas da Esquerda, Dinash D´Souza
- O Marxismo Desmascarado: Da Desilusão À Destruição Ludwig Von Mises
- Karl Marx: O Comunismo como Escatologia Religiosa, Murray N. Rothbard
- A República Brasileira e o Plano Revolucionário Comunista, Fabio Couto Lírio
- John Maynard Keynes, Bernard Gazier
- Partido De Deus: Fé, Poder E Política, Luis Mir
- A Revolução Brasileira, Caio Prado Jr
- A Decadialética De Mário Ferreira Do Santos, Rafael Luis Boemo
- A Análise Dialética Do Marxismo, Mario Ferreira Dos Santos
- A Fenomenologia do Espírito, Hegel
- Ser e Tempo, Martin Heidegger
- O Ser e o Nada, Sartre
- Estudos Sobre A Personalidade Autoritária, Adorno
- O Jardim das Aflições, (do Grande Mestre) OLAVO DE CARVALHO
- A República, Platão
- Política, Aristóteles
- Da República, Marco Túlio Cícero
- Os Clássicos Da Política – Cole – Francisco C. Weffort.
- Leviatã, Thomas Hobbes
- A Liberdade Dos Antigos Comparada À Dos Modernos, Benjamin Constant
- Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, John Locke
- Carta Sobre a Tolerância, John Locke
- O Contrato Social, Rousseau
- Liberalismo e Democracia, Noberto Bobbio.
- O Caminho Da Servidão Friedrich Hayek
- 10 Lições Sobre Kierkegaard, Jonas Roos
- Democracia, um Mito, Joao Uchoa.
- A Constituição Contra O Brasil, Roberto Campos
- Em Defesa Do Socialismo Por Fernando Haddad
- A Farsa Ianomâmi, Gen. Menna Barreto
- Nada Menos Que Tudo, Janot
- Como Destruir um País – Uma Aventura Socialista na Venezuela, Marcelo Suano
- Esquerda Caviar, Rodrigo Constantino
- 21 Lições para o Século 21, Yuval Harari
- A Evolução de Deus, Robert Wright
- Fake Brazil: A Epidemia de Falsas Verdades, Guilherme Fiuza
- 50 Ideias de Física Quântica
- Como Conversar Com Um Fascista, Marcia Tiburi
- Guia Bibliográfico Da Nova Direita: 39 Livros Para Compreender O Fenômeno Brasileiro, Lucas Berlanza Corrêa
- Uma Nova Constituição Para O Brasil: De Um País De Privilégios Para Uma Nação De Oportunidades, Modesto Carvalhosa.
- A Realidade Não É O Que Parece, Carlo Rovelli
- Os Bestializados – O Rio de Janeiro e a Republica que não foi, José Murilo de Carvalho
- Hegemonia e Estratégia Socialista, Ernesto Laclau Chantal Mouffe
- Espiral do Silêncio, Elisabeth Noelle-Neumann
- A Grande Mentira: Lula E O Patrimonialismo Petista, Ricardo Vélez Rodríguez.
- Entendendo o PT, Antonio Paim
- Assassinato de Reputações, Romeu Tuma Jr
- A Verdade Sufocada, Cel Ustra
- Manual De Sobrevivência Do Conservadorismo no Sec XXI, Daniel Lopez
- O Que Aprendi Sendo Xingado Na Internet, Leonardo Sakamoto
- O Brasil Dobrou À Direita: Uma Radiografia Da Eleição De Bolsonaro, Jairo Nicolau
- Guerra Cultural e Retórica Do Ódio, João Cezar De Castro Rocha
- Memorias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
- Dom Casmurro, Machado de Assis
- O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto
- Macunaíma, Mario de Andrade
- O Sonho De Um Homem Ridículo, Dostoiévski
- Crime e Castigo, Dostoiévski
- 1984, George Orwell
- Hugo Chávez, O Espectro, Leonardo Coutinho

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