OS ESTUDANTES COMO ÚNICO POTENCIAL DE PROTESTO COMUNISTA

Os burocratas acadêmicos da Nova Esquerda, especialmente os da Escola de Frankfurt no pós-guerra, agindo como um bloco histórico gramsciano, tentaram reinventar o comunismo com uma revisão do “humanismo marxista”. Essa revisão visava apresentar uma alternativa ao estilo totalitário genocida do “socialismo real” soviético, ao mesmo tempo em que continuava criticando o capitalismo de forma incisiva, atribuindo-lhe a culpa por todas as desgraças da humanidade. Para eles o mundo real seria a expressão acabada do mal, enquanto o mundo irreal do socialismo seria onde se concentraria o bem.

Os Frankfurtianos, inicialmente, então, tomando como base a sua Dialética do Esclarecimento, que estende a crítica da razão burguesa ao Iluminismo, tentam culpar a razão instrumental por todas as falhas desumanizantes na sociedade burguesa. Nessa perspectiva, tudo que é empírico, analítico, objetivo e comportamental é visto como algo negativo. Em seguida, empenham-se em encontrar soluções, como a proposta do ideal da ação comunicativa habermasiana das falas livres e iguais, que supostamente traria sucesso para a humanidade na forma de uma democracia deliberativa, para encobrir um simples socialismo mascarado sob a palavra “democracia”.

Dentro da lógica de que a razão está corrompida pela ordem burguesa, Habermas concluiu que 1) o proletariado, anteriormente, o “povo escolhido” pela divindade marxista como o agente da revolução em direção ao utópico comunismo, está agora alienado, condenado ao fardo da produção pela troca, e escravo das compensações (melhoradas condições de trabalho, salários e auxílios trabalhistas) e dos tempos livres proporcionados pelas elites burguesas dominadoras capitalistas, mas, ao mesmo tempo, feliz, pelo fetichismo da mercadoria e pela obsessão pela tecnologia, com as boas condições de vida que o capitalismo proporciona, com seus carros, tvs, cinemas, eletrodomésticos, casas com ar, aviões e férias na praia. Assim como concluiu que 2) os podres e os marginalizados da sociedade burguesa, mesmo aliciados pelos movimentos sociais revolucionários, também já estavam alienados e escravizados pelas políticas identitárias, de inclusão e assistencialistas dos Estados de Bem-estar Social.

Desta forma, em função da alienação capitalista desses agentes, Habermas buscou por novas classes, blocos históricos e agentes para a revolução. Aqueles que não estivessem ainda enfeitiçados pela razão instrumental da ideologia tecnocrata da ciência e da técnica do capitalismo industrial burguês.

Em uma conclusão digna de uma farsa filosófica, Habermas encontra os novos agentes da revolução: aqueles que colocariam em prática toda a sua participativa, pluralista e humanista teoria de ação comunicativa e da tal democracia deliberativa; aqueles que teriam como missão transformar o mundo de um inferno capitalista em um paraíso democrático coletivista de pura fraternidade e igualdade social e econômica; aqueles que trariam a libertação do ser humano pela emancipação do pensamento e da linguagem, longe da razão instrumental; e aqueles que, enfim, conseguiriam derrubar as estruturas opressivas do capitalismo. Tais agentes seriam, nada mais nada menos, do que os jovens estudantes universitários de humanas da classe média alta burguesa da “esquerda caviar” urbana, bon-vivants sem responsabilidades e sem compromissos morais dentro da sociedade civil (burguesa).

Esta conclusão habermasiana, no mínimo assombrosa, de que os estudantes seriam os verdadeiros agentes da revolução anticapitalista baseia-se nos seguintes argumentos: 1) os estudantes seriam parte de um grupo privilegiado, porque não representariam nenhum dos interesses que surgem imediatamente da sua posição social e não buscam satisfazer-se em conformidade com o sistema, mediante aumento de compensações sociais; 2) os mais ativistas não seriam aqueles que buscam ascensão social, pois eles estão na universidade com o propósito de estudar, geralmente optando pelas ciências exatas. Seriam os que desfrutam de uma posição favorável em camadas sociais economicamente privilegiadas, aqueles menos privativamente orientados para uma carreira profissional ou para a criação de uma família Devido à sua origem social burguesa de classe média alta de família já de esquerdistas mais liberais que os sustentam, não fomentariam qualquer horizonte de expectativas determinadas pelas coações do mercado do trabalho; e 3) seriam os estudantes das especialidades das ciências sociais, da história e da filologia, que seriam imunes perante a consciência tecnocrática da razão instrumental burguesa.

Realmente, isso pode mesmo ser levado a sério?

Talvez uma forma de entender essa escolha surreal de Habermas, está no que opina Roger Scruton, no final do Capítulo 11 sobre Jurgen Habermas, em seu excelente Livro, “Pensadores da Nova Esquerda”:

“O establishment de esquerda da Alemanha está perfeitamente ciente de sua posição enquanto elite privilegiada. Ao mesmo tempo que repetem sua fastidiosa condenação da tecnocracia, eles sabem, do fundo de seu coração, que a “razão instrumental” – descrita por Habermas, num de seus momentos mais cândidos, como “trabalho” – é a condição social de que depende sua posição. Em última análise, a crítica do comportamento estratégico e a celebração do “ato comunicativo” não passam de ideologia: a ideologia de uma elite preocupada em desprezar a realidade da indústria moderna e preservar a dignidade de sua posição de classe ociosa.”

“A linguagem marxizante do establishment de esquerda é um exercício de legitimação. O industrial trabalha para sustentar a tranquilidade do campus, ciente de que os sentimentos revolucionários da elite estão aprisionados na sala de espera da “teoria crítica” e só são liberados em doses inócuas. Indivíduos revolucionários, atraídos ao campus, são gradativamente neutralizados pelo tédio, nutridos por insights discretos e devolvidos ao mundo saudável das mercadorias com renovado apetite para o trabalho. Sendo assim, o establishment de esquerda não é apenas necessário para a autoimagem espiritual na nova república alemã, mas para o crescimento industrial do qual está depende. E é nisto, creio eu, que se situa a explicação do fenômeno Habermas: um pensador de reputação mundial, que ainda nos deve um pensamento original.”

Assim, parece que Habermas serve somente para que, por exemplo, o Grupo de Puebla, gerenciado pelo Ex-Primeiro-Ministro socialista espanhol Zapatero, consiga reunir algumas dezenas de estudantes, de humanas, com certeza, de acordo com a própria teoria de Habermas, para uma manifestação pró-Lula, novo garoto propaganda do socialismo internacional, em uma universidade estadual brasileira cujo reitor é filiado ao PT, e para que as mídias sociais dos membros do partido transformem um evento de estudantes habermasianos em uma manifestação apresentada como natural e voluntária do povo brasileiro.

Será que Habermas realmente pode ser considerado uma referência para verdadeiras deliberações sobre a ampliação, o aprofundamento e o futuro da democracia no Ocidente, conforme defendido pelo pensamento acadêmico no Brasil e por alguns juízes midiáticos de nosso Supremo Poder? Será que a inclusão de um “discurso humanista” em seu pensamento é genuína, ou pode ser apenas uma mera sentimentalidade falsa?”

Pois, lembrando novamente Roger Scruton:

“A sentimentalidade, que é a falsificação ativa do mundo, de forma a enobrecer os sentimentos do falsificador, foi uma das mais fortes motivações do socialismo moderno”. Roger Scruton

Fonte: https://www.grupodepuebla.org/

* Referências:

Lula da Silva protagonizó masivo cierre del encuentro académico en Rio de Janeiro organizado por el Grupo de Puebla – Grupo de Puebla

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