CAETANO, PERFEITO, RESUME O PENSAMENTO FUNDAMENTAL DA ESQUERDA OCIDENTAL

Caetano Veloso, em entrevista no Roda Viva em 1996, ao colocar sua dúvida sobre a forma como deveríamos solucionar os maiores problemas da humanidade, em especial, a pobreza, a fome e as desigualdades sociais, resumiu, magistralmente, a dicotomia que gera a eterna rivalidade dos pensamentos sociais e políticos. Dicotomia que flui nas ações políticas desde a Revolução Francesa, o Iluminismo, a Revolução Industrial, o Capitalismo e sua ética protestante, os primeiros socialistas franceses, o marxismo-leninismo revolucionário violento e totalitário, passando pela Escola de Frankfurt, Gramsci, a Nova Esquerda, chegando na esquerda atual que se diz lutar pela democracia, entre direita e esquerda, entre socialismo e liberalismo, entre liberdade individual e liberdade social bobbioanas, entre liberdade negativa e liberdade positiva berlinianas, entre ideal de liberade e ideal de igualdade, enfim, entre comunismo e capitalismo.

Disse Caetano:

“…ou um cinismo elitista eficiente será absolutamente necessário e intransponível como ideologia para ordenar a vida prática ou se ainda haverá algum lugar nas organizações das mentes para a ideia de inclusão da totalidade ou, pelo menos, da maioria dos seres humanos, se há ainda a possibilidade de se pensar em sociedades includentes e não excludentes, pois a tendência atual é sempre excludente”

Caetano, apresenta a questão de forma aberta e reflexiva, colocando-a entre os dois caminhos de sempre, ou o da esquerda ou o da direita. Mas, qual nos levará a um mundo regenerado?

O pensamento de esquerda é aquele no qual efetivamente não se acredita no ser humano como indivíduo capaz de fazer escolhas por si mesmo e de se responsabilizar por elas. Considera que o Homem sempre tende ao egoísmo pelo capitalismo selvagem acumulador de capital, de riqueza e de propriedade, impedindo-o de desenvolver um caminho adequado (igual) para todos de forma coletiva e social. Ou seja, considera que que não há mesmo a possibilidade, em algum lugar nas organizações das mentes (individuais), para a ideia de inclusão da totalidade (social), para a construção de sociedades includentes e não excludentes, pois a tendência é sempre excludente.

Assim, todo socialista, hoje simplesmente alguém de “esquerda”, entende que um cinismo elitista eficiente será absolutamente necessário e intransponível como ideologia para ordenar a vida prática. Ou seja, o imaginário mitológico socialista persistente de que a solução seria encontrada em um “Lula”, que deixou de ser homem e se transformou em uma ideia, ao invés de purpurina, em um ser divino, em um político honesto que se dedica ao coletivo, que faria sacrifícios pessoas fraternais e que só visaria o bem estar da nação e do povo oprimido e sofrido, o Escolhido, por uma divindade qualquer, normalmente ele mesmo, para lutar e trazer a justiça social ao mundo, o representante e a encarnação pura do “discurso humanista” social, inegável apenas em si mesmo, o herói de um suposto bem coletivista social que é inimigo das liberdades individuais, pois considera que o ser humano, na sua individualidade, não é capaz por si só de organizar a sua mente em prol de uma sociedade includente, que, no final, como esclareceu Hayek em seu “O Caminho da Servidão”, considerar-se á incontestável e não criticável, transformando-se num déspota autoritário em nome de uma igualdade que só ele se considera capaz de trazer e que não vacilará em eliminar de forma violenta quem contrariar o seu ideal de igualdade social cínico, elitista, pretensamente eficiente e unicamente ideológico.

O que será do Brasil a partir de 2023, Caetano? Qual dos dois caminhos seguiremos, o do Lula sínico, elitista (mas, ineficaz) e “intransponível” (nesse caso, definitivamente, autoritário e antidemocrático) ou o do cidadão livre capaz de agir por si só sempre tendo em sua mente a ideia da inclusão da totalidade? Por enquanto, o primeiro está vencendo, o que era de se esperar, pois o discurso humanista é mesmo irresistível. Entretanto, muita luta pela verdade e liberdade ainda nos espera como Nação.

CAETANO VELOSO, Entrevista de Caetano Veloso ao Programa Roda Viva apresentado por Matinas Suzuki Jr. São Paulo. 1996. Publicado pelo Canal Roda Viva. (38 min)

Disponível em:< https://www.youtube.com/watch?v=-IHORuI_Uts&t=1s >

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